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Reblogado: mensagem de Wilson Azevedo

29 de março de 2008

Texto de”Wilson Azevedo” que recebi via e-mail pelo grupo Blogs Educativos

Primeiro, nao existem ainda nativos digitais: o que temos hoje sao filhos de migrantes digitais, cujos pais nao nasceram num mundo digital. Vivem e se viram bem nas duas culturas. Os filhos deles, ou seja os netos dos migrantes e’ que serao os verdadeiros
nativos. Esta geracao ainda esta’ pra nascer…

Segundo, nativos digitais serao textuais. As vitimas da lobotomia cultural dos anos 80, que viveram na era da TV, e’ que nao desenvolveram habitos e gostos por leitura e ficaram no polo audiovisual. Mas tanto os filhos dos migrantes quanto os nativos usam e usarao muito texto. Eles sao verdadeiramente multimidia. E texto tambem e’ midia. Na verdade, e’ a principal midia na cultura escrita. Todo o resto pressupoe e se baseia em texto, sob a forma de roteiro ou de script.

Tem um comentario muito lucido do Steven Johnson que eu gosto sempre de lembrar no contexto desta discussao. Deixo-o a seguir, para ajudar a refletir sobre isto. E’ um equivoco imaginar que estamos numa cutura audio-visual. Audio-visual era a cultura dos nossos antepassados na pre-historia, antes do advento da escrita. Depois da escrita tornamo-nos
inevitavelmente textuais — o que evidencia a tragedia que se abateu sobre a geracao culturalmente lobotomizada pela TV na decada de 80.

A seguir, o texto do Johnson.

Wilson

“Contudo, apesar de todo o seu sucesso, a interface grafica continua sendo mal compreendida. Em contraste com a atitude inicial de recusa, os equivocos de hoje resultam de uma EXCESSIVA CONFIANCA nos principios basicos da Interface Grafica com o Usuario (GUI). Uma unanimidade tola percorre grande parte do design de interface contemporaneo, ha’ um ponto cego no centro do campo de visao, geralmente aguda, do Vale do Silicio. Num mundo dominado por icones e metaforas visuais, o papel do TEXTO – letras e palavras, em vez de imagens e animacoes – ficou parecido com o de um acessorio, um figurante obscuro num grande epico de Hollywood. As palavras, nesse paradigma manco, sao sempre inferiores ‘as imagens. Qualquer um que conheca um pouco da historia dos sistemas de escrita – especialmente a passagem dos pictogramas, como os hieroglifos, para a grafia fonetica – percebe algo de esquisito nesssa hierarquia. Felizmente, o distorcido esquema de prioridades atual e’ desequilibrado demais para durar muito. A revolucao TEXTUAL podera’ certamente ser o Grande Salto ‘a Frente no design de interface do seculo XXI.

A aversao ao texto tem algumas raizes compreensiveis.

Na linguagem da psicologia da Nova Era, a interface contemporanea ainda esta’ em recuperacao, elaborando a sindrome pos-trauma que a acometeu desde que se libertou da linha de comando. Os computadores comecaram como trituradores de numeros, mas passaram a maior parte de sua adolescencia sob a tirania do texto – todos aqueles conjuntos de comandos e instrucoes inescrutaveis resplandescendo em monitores de fosfoto verde e inscritos em cartoes perfurados. Em seu uso original, de fato, “interface” era apenas uma outra palavra para texto: input inserido com o acionar de teclas, output diligentemente
transportado para a impressora ou o monitor. Todas as linguagens importantes que governavam a relacao entre o computador e o usuario eram baseadas em texto: BASIC,
COBOL, Unix, DOS. Comparado com o universo em mapas de bits do ALTO ou do Windows, essas experiencias textuais mais velhas nos parecem agora sem vida e opacas – como um filme tecnicolor substituido por um roteiro impresso. Por que fazer qualquer coisa com
palavras na tela quando palavras foram a fonte de tanta dificuldade nos velhos tempos? Boas interfaces exterminam o texto, assim como psicoterapeutas liquidam lembrancas reprimidas e bloqueios emocionais.

Os comandos textuais eram a grande inadequacao dos primordios do computador, seu calcanhar-de-aquiles – o que torna perfeitamente logico que a interface contemporanea reaja de maneira tao adversa a palavras na tela. Podemos chamar isso de “o complexo de DOS”.

In JOHNSON, Steven, Cultura da Interface: como o computador transforma
nossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2001.
p. 112-113.

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