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Ex-babá deixa o subúrbio para brilhar no Fashion Rio (reblogado)

15 de janeiro de 2008

Copio esta reportagem do ESTADÃO
Link original: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080115/not_imp109366,0.php
Reparem no último parágrafo.

texto de Roberta Pennafort

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Ao chegar ao backstage da grife Acomb, no sábado, último dia do Fashion Rio, a modelo Katy Rosa sentiu alguns olhares esnobes em sua direção. As outras meninas pareciam se perguntar: “Quem é essa aí?” Moradora da Cidade Alta, conjunto habitacional favelizado da zona norte do Rio, iniciante na profissão, Katy poderia ter se intimidado. Que nada. “Não estava ali por sorte, e sim por mérito. Eu me senti de igual para igual em relação a todas. Quando entrei, disse pra mim mesma: ?Agora essa passarela é minha!?”

Bonita, altiva e articulada, Katy, aos 22 anos, não tem mesmo o que temer. Com 1,77 metro e 47 quilos, acaba de ser contratada pela agência 40 Graus. Agora, espera ser chamada para o São Paulo Fashion Week. “Se me ligarem, vou correndo!”, diz. Em sua primeira empreitada num grande desfile, a moça, que só terminou o segundo grau e já trabalhou como babá, se transformou numa Cinderela negra, que brilhou sob a tenda do Fashion Rio.

Katy, que é filha de uma aderecista da escola de samba Vila Isabel, virou noites bordando e costurando para ajudar a preparar os looks vistos na passarela. Os modelos foram idealizados pelo estilista Beto Neves – da grife Complexo B, que também se apresentou no Fashion Rio -, e produzidos no núcleo de moda da Ação Comunitária do Brasil, que existe há quatro anos.

A Acomb, que estreou na feira de moda este ano com o patrocínio da Petrobrás e da Federação das Indústrias do Rio, é um desdobramento do trabalho da Ação Comunitária, criada há quatro décadas.

Os vestidos, blusas, saias, blazers e calças cheios de detalhes em miçangas e paetês de coco da Acomb foram confeccionados artesanalmente na sala de produção da organização, que fica num prédio na Cidade Alta. O bairro surgiu na década de 60, para abrigar moradores removidos da antiga Favela do Pinto (uma parte também foi para a Cidade de Deus, aquela, do filme). De lá também saíram cabeleireiros, maquiadores e o pessoal que cuidou da alimentação das modelos. A equipe passou por cursos profissionalizantes oferecidos pela ONG.

Além de Katy, também ajudaram a bordar e costurar as roupas outras três modelos do casting da Acomb e da comunidade da Cidade Alta: Katlyn Rose, de 17 anos (também contratada pela 40 Graus), Dayane Rocha, de 16, e Isabela Farias, de 19. Amigas, as meninas estão cheias de sonhos, mesmo que modestos. “Queria ter dinheiro para poder fazer uma compra do mês”, diz Dayane.

No backstage, Katy ainda teve que escutar uma jornalista lhe perguntar como se sentia ali, sendo uma menina de favela. “Ela falou que na favela as garotas andavam malvestidas e descalças. Eu, hein! Não ando descalça nem em casa!”, diz a modelo, de nariz para o alto e escarpin amarelo de verniz nos pés.

fonte: http://www.estadao.com.br

One Comment leave one →
  1. altamira permalink
    17 de novembro de 2009 20:50

    Como aconteceu com a Katy, acontecerá com um de nós.
    Somos vistos como esforçado e não como inteligentes.
    Absurdo terem o olhar no negro dessa maneira.

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