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Como educomunicar na escola pública

21 de abril de 2018
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Um relato de práticas e observações de práticas de quinze anos em escolas da Prefeitura de São Paulo

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Numa trajetória de 15 anos como funcionário público na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo tive a oportunidade de descobrir e exercitar algumas práticas educomunicativas, que começaram como projetos de rádio e blog no laboratório de informática e chegaram à gestão de uma grande atividade colaborativa envolvendo vários professores, alunos e colaboradores de fora da escola.

COMEÇANDO 15 ANOS ATRÁS

Já sou funcionário público na Prefeitura de São Paulo a 15 anos. Comecei como auxiliar técnico de secretaria de uma escola de ensino fundamental; mediante concursos públicos fui ascendendo na carreira até chegar a Diretor efetivo de uma escola. A educomunicação começou a ser implementada na Secretaria Municipal de Educação pouco antes do meu ingresso na rede, mas levou um tempo para eu descobrir.

Quando assumi o cargo função de Professor Adjunto, procurei a pesquisa e a inovação na escola, como meus professores me instigaram quando fui aluno da FFLCH e da FEUSP; mas sem saber bem como construir essa inovação minha primeira tentativa foi com a dramaturgia amadora, mesmo sem ter nenhuma experiência prévia nesse sentido. Melhor dizendo, quando fui aluno do fundamental na EMEF Mario Kosel tive professores que trabalhavam eventualmente com apresentações teatrais. Desenvolvi um projeto de teatro fora do horário regular com alguns alunos da escola EMEF Fernando Gracioso que resultou na peça colaborativa Zumbi Gracioso, escrita por eles mesmos através de oficinas de pesquisa em livros e revistas e livre criação. Isso em 2006. Essa produção foi divulgada de forma aberta num blog e rendeu várias remontagens em escolas pelo Brasil. Mesmo sem conhecer o conceito na época fica sendo essa a primeira dica relato de atividade educomunicativa.

1 – PRODUÇÃO DE ARTE COLABORATIVA

A melhor dica para começar é o teatro. Mas podem ser outras artes, como fotografia, desenho, pintura, grafite, música, vídeo-ficção…

Há referenciais recentes sobre Arte-Educação, entre os quais destacamos a pesquisa do aluno de Licenciatura em Educomunicação, Maurício Silva (2016).

Ao realizar projetos de Educomunicação que apenas fazem a leitura crítica dos meios de comunicação, ou que apenas focam na produção, ou que olham apenas para o uso das tecnologias, temos as potencialidades reduzidas porque não trabalhamos por completo o processo de construção do conhecimento, barateando e segmentando as ações. SILVA, 2016, p. 97.

Na sua abordagem, o autor destaca a importância de não se ignorar a complexidade do processo educacional e comunicacional e sempre valorizar processo. Isso que considero a essência do fazer educomunicativo, desde que Kaplún (1998) descobriu ou inventou o termo “educomunicador”.

Podemos buscar também as raízes dessa estratégia em ativistas e conceituadores como Anton Makarenko (2012), que quando foi diretor na Colônia Gorki no início do século XX fomentou tanto a gestão democrática, por meio de assembléias, quando a inovação pedagógica através do teatro. Quando foi diretor da Comuna Dzerjinski também trabalhou com fotografia. Outra referência clássica que podemos consultar é o trabalho de Montessori (2017). Segundo Gabriel Salomão, “Montessori percebeu que a criança passava por diversos períodos sensíveis” e há várias estratégias para aproveitar essas sensibilidades para favorecer o desenvolvimento integral do estudante.

O importante, independente do tipo de arte proposto, é promover a criação pelos próprios alunos, de forma sempre colaborativa e aberta ao diálogo.

DEPOIS A INFORMÁTICA EDUCATIVA

Já no meu segundo ano como professor (quinto de servidor público) assumi a função designada de POIE: Professor Orientador de Informática Educativa, eleito pelo conselho da escola Fernando Gracioso. No Laboratório de Informática não foi possível continuar com o projeto de teatro, mas descobri na escola um equipamento de rádio completo, que estava esquecido num canto do depósito. Só muito depois descobri que esse equipamento havia chegado na escola por causa do projeto Educom.Radio e inclusive alguns professores e alunos da escola haviam feito o curso organizado pelo NCE/USP.

Frente à dificuldade para reativar a rádio, pois dependia da instalação de uma antena, comecei a planejar alternativas com alguns alunos da escola, os chamados Alunos Monitores, um projeto inovador que estava começando na época, em que alunos voltavam na escola no contra-turno para ajudar no Laboratório de Informática ou Sala de Leitura. As alternativas que testamos são as duas próximas dicas / relatos.

2 – PODCASTS

Na época era popular o serviço Podomatic, que inclusive ainda existe. Mas a inspiração que iniciou os podcasts foi o IPod da Apple. Resumindo, podcast é um arquivo de áudio semelhante a um programa de rádio que fica disponível em sites ou aplicativos de sincronização. Fazíamos as gravações de forma bem precária usando microfones de computador no Laboratório de Informática, mas o resultado era fascinante pois captávamos as vozes dos alunos. Nossas primeiras gravações foram os alunos cantando e pequenas entrevistas motivadas pelo projeto Minha Terra proposto pela Secretaria Municipal de Educação.

Nossas produções, apesar de simples, chamaram atenção e fui convidado a fazer um breve relato no Seminário Nas Ondas do Rádio de 2008 na Câmara Municipal. Foi nesse evento que conheci o professor Ismar de Oliveira Soares, o pioneiro Cadu Fernandez e tive maior contato com o professor Carlos Lima, que havia conhecido pouco antes numa oficina sobre rádio escolar. Foi também nesse momento que fui apresentado ao conceito educomunicação, que finalmente dava um nome ao que vários professores estavam fazendo em várias escolas na época. Cito de memória projetos como a rádio Mange da EMEF prof. Roberto Mange, Rádio CLEM da EMEF Conde Luiz Eduardo Matarazzo e a rádio Educart da EMEF Jairo de Almeida, todos coordenados por colegas poies.

3 – BLOG E JORNAL IMPRESSO

No mesmo Seminário citado iniciamos o projeto de jornal (uma simples folha de sulfite impressa). Chamamos de Folha Graciosa. Já estávamos experimentando o blog. Usávamos a ferramenta Multiply, que infelizmente não existe mais, que era muito adequada para uso na escola por permitir escolher quem teria acesso aos conteúdos, principalmente fotos dos alunos. Havia filtros para escolher se o conteúdo seria visto por todos ou apenas por usuários logados no site – Apenas muito tempo depois, com o pouco usado Google Plus, surgiu uma solução semelhante com o conceito de círculos sociais.

O jornal impresso era usado para destacar com poucas imagens e textos curtos as principais atividades da escola e fazer divulgação chamando a comunidade para visitar o blog. Também é um veículo excelente para fomentar a produção e correção de texto, pois os alunos parecem enxergar mais claramente quando veem suas palavras impressas.

4 – RÁDIO ESCOLAR

Com a boa aceitação destes projetos, conseguimos que a gestão da escola na época instalasse a antena da rádio, reativando o projeto Nas Ondas do Rádio. Como estava poie, o equipamento emissor foi instalado no próprio laboratório de informática, permitindo um acompanhamento constante por mim e pelos alunos monitores. Além de transmitir músicas nos horários de intervalo, os alunos davam recados e às vezes inventavam concursos de adivinhas, que eram premiados com a entrega de pequenos livros que a escola havia ganhado em doações. Sem nenhum tipo de treinamento prévio, exceto os curtos encontros que eu havia participado, promovidos pelo citado professor Carlos Lima, os alunos tentavam emular uma rádio de verdade, mas impregnada de vitalidade infanto-juvenil.

5 – IMPRENSA JOVEM E VÍDEO ENTREVISTA

Tudo isso que estou contando e todas essas práticas educomunicativas não são lineares. Essas iniciativas aconteceram mais ou menos ao mesmo tempo ou começaram num período bem próximo, que vai de 2006 a 2008 na escola onde eu estava e foram se consolidando até o ano de 2011, quando deixei a função de poie, saindo da EMEF Fernando Gracioso para ir trabalhar como professor de língua portuguesa na EMEF Jairo de Almeida.

Desde o começo, a EMEF Jairo foi nossa parceria em vários eventos, principalmente pelo empenho e pioneirismo da professora Elaine Martins, que havia feito o curso Educom.Radio e continuou envolvida com projetos de mídias e educomunicação, além de robótica e cultura maker – e continua ainda hoje, sendo uma verdadeira multiplicadora com os colegas professores na região do bairro Perus e eventos onde suas equipes de imprensa jovem participaram.

Em 2005 o professor Carlos Lima trouxe o conceito de equipe de Imprensa Jovem como uma inovação na proposta do Programa Nas Ondas do Rádio. No evento Encontro de Cidades Educadoras, AICE 2008, pela primeira vez as equipes receberam uniformes personalizados, as famosas camisetas laranjas com o símbolo de uma antena em forma de lápis. A primeira versão desse símbolo inclusive teria sido criado por uma participante do projeto, a aluna Priscila Pereira Santos da EMEF Raimundo Correa.

Imagem 1: Uma das primeiras versões, talvez a primeira, do símbolo Educom da Prefeitura de São Paulo.

As escolas Fernando Gracioso e Jairo de Almeida, entre outras, participaram do evento AICE 2008, praticamente inaugurando a imprensa jovem como espaço privilegiado para divulgar o conceito educomunicação e promover ações que são desenvolvidas nas escolas públicas. Desde o começo a Secretaria Municipal de Educação articulou a participação da imprensa jovem em vários eventos, com destaque especial para Bienal do Livro, Bienal de Artes e a Campus Party, onde está presente desde a primeira edição no Brasil, que foi justamente m 2008. Na Bienal do Livro o programa inclusive monta estúdios para uso dos alunos.

Foi na imprensa jovem também que mais transpareceu o uso de técnicas do jornalismo na educação, como pesquisa de pauta, formulação de questões, adaptação e correção de texto. Geralmente as entrevistas eram gravadas com câmeras digitais compactas, eventualmente filmadoras um pouco melhores e o áudio captado com gravadores de fita, gravadores digitais e celulares, para posterior edição. Técnicas de vídeo entrevistas foram evoluindo nesse projeto, por iniciativa dos professores e dos próprios alunos, às vezes inspirados na televisão e, mais recentemente, no exemplo dos youtubers. Todas as escolas da prefeitura de São Paulo que haviam começado a trabalhar com alunos monitores e rádio escolar passaram a trabalhar com imprensa jovem e gravações em vídeo. Também surgiram novas equipes, com propostas muito bem estruturadas, merecendo destaque o projeto da EMEF Julio Marcondes Salgado, chamado Rádio JMS.

NA GESTÃO ESCOLAR

6 – EVENTOS INOVADORES NA ESCOLA – O EXEMPLO DA SEMANA DO ESTUDANTE

Após atuar por 4 anos no setor de tecnologias e informação, TIC, da Diretoria Regional de Educação Pirituba Jaraguá, acessei mediante concurso público a função de Diretor de Escolar na EMEF Luiz David Sobrinho. Nessa escola descobri e procurei apoiar os projetos que já aconteciam na unidade, com destaque especial para a Semana do Estudante.

A história da Semana do Estudante começa em 2005, com a fundação oficial do Grêmio Estudantil da escola municipal de ensino fundamental Professor Luiz David Sobrinho, chamado Jovens Na Atividade. O grêmio foi inaugurado no dia do estudante, 11 de agosto, proposto como um dia especial para troca de livros entre alunos na nossa escola. No entanto, antes disso, em 2002, alguns alunos participantes do projeto Educom.Radio já haviam tentado montar um grêmio na escola. O evento de troca de livros continuou ocorrendo nos anos seguintes, sempre acompanhado por atividades diferenciadas durante a semana, mas aquela que pode ser considerada a primeira edição da Semana do Estudante, com oficinas e palestras feitas por ex-alunos, atletas, artistas e professores convidados, aconteceu apenas em 2015. A proposta foi tão bem aceita que foi repetida no ano de 2016, desta vez contando com mais palestrantes e com várias disputas.

O tema de inspiração em 2016 foram as olimpíadas, assim os alunos foram divididos em grupos representando os cinco continentes. Foi uma proposta ousada, que fez alunos de fundamental 1 (primeiro ao quinto ano) se misturarem com alunos de fundamental 2 (do sexto ao nono ano), independente de idade ou nível de aprendizagem. A colaboração e aliança superaram as diferenças e os alunos puderam experimentar novas formas de aprender.

Em 2016, como parte da participação da escola no Parlamento Jovem, a aluna Mayara da Silva Tavares (na época 9º ano), apresentou o projeto de lei PL 162/2016 para instituir no calendário oficial de todas as escolas municipais a Semana do Estudante e o dia de troca de livros na finalização da semana dia 11 de agosto. O relato da participação da aluna está publicado no Diário Oficial do Município, data 28/01/2017 a partir da página 68. O vereador Laércio Benko encampou o projeto para ser regulamentado oficialmente.

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Imagem 2: Nessa foto de 2013 na Câmara Municipal, Mayara é a 5a na segunda fileira.

Em 2017 iniciei como diretor na escola, já chegando encantado pelos relatos sobre as edições anteriores. Toda a gestão atual da escola, eu, os assistentes Tereza Cristina e Alexandre Afonso e principalmente as coordenadoras pedagógicas Rosana da Costa e Juliana Quintino e nosso coordenador do grêmio escolar professor de educação física Adenilto nos empenhamos em viabilizar e organizar a terceira edição desse grande evento. Como tema motivador sugeri o livro Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, que comemorou 80 anos de publicação em 2016. Assim as turmas foram divididas em 5 grandes grupos, que representavam as principais raízes culturais da nossa nação: Indígena, Africana, Europa, Ásia e Estadunidense. Todos os professores trabalharam muito, planejando atividades e organizando suas turmas.

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Imagem 3: (foto divulgação: Companhia das Letras)

Dessa vez, foi dada menor ênfase à competição, sendo decidido que apenas alunos com destaques nas atividades seriam premiados com medalhas. Como já havia ocorrido na edição anterior, também tivemos grande dificuldade para organizar a participação dos visitantes voluntários, palestrantes que convidamos para dialogar com os alunos: professores colegas, profissionais de outras áreas e ex-alunos desta e de outras escolas. O maior problema foi realmente a agenda, pois o tempo disponível pelos palestrantes era restrito e temos poucos recursos para poder remunerar as participações. As colaborações foram todas excelentes, mas sempre atendendo apenas partes da comunidade escolar.

Tentamos documentar ao máximo essa semana. A maioria das fotos e filmagens foram feitas pelos próprios estudantes, utilizando equipamentos da escola e estão disponíveis nesse link:

https://goo.gl/photos/G73mCohtsd1DjuHS6 Acesso em: 28 mar. 2018.

Imagem 4: QR Code com acesso a fotos e vídeos da Semana do Estudante

Quebrar um pouco das grades escolares foi sobretudo divertido. Fascinante. A avaliação geral da comunidade escolar foi de aprovação e desejando a continuidade da proposta. Mas também foi uma atividade muito cansativa. Para que se tornasse mais uma rotina, em vez de algo raro e excepcional, a escola precisa de mais recursos humanos e financeiros. Como já foi citado, há inclusive um projeto de lei para inserir a semana no calendário oficial, mas sobretudo precisamos buscar formas de continuar tendo atividades tão interessantes assim na escola em outros momentos.

Considero, sobretudo, essa também uma atividade educomunicativa, construída de forma coletiva por gestão escolar, professores, alunos e colaboradores visitantes, em sua maioria ex-alunos e colegas dos professores que voluntariamente compareceram na escola para propor novos jeitos de ensinar e aprender.

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Imagem 5: Visual Samba Black de Caieiras junto com as coordenadoras Juliana e Rosana e, à direita, assistente de direção Tereza Cristina e diretor de escola Fabio.

INVENTAR

A proposta da educomunicação, seja como novo campo de conhecimento na interface entre educação e comunicação, seja como metodologia ou didática que busca a inovação usando novas tecnologias, mas sempre mais preocupada com o processo participativo, aberto e colaborativo; na minha visão traz um frescor necessário para dentro da escola. E há muitas formas de ser desenvolvida. Mesmo propostas mais tecnicistas mais recentemente incorporadas na rede municipal de São Paulo, como o uso uso de robótica, programação e video-games, pode receber uma nova abordagem usando o conceito de educomunicação e de valorização do processo educacional e comunicacional.

A educomunicação, pela sua própria essência, abre novos espaços de inovação para a aprendizagem em grupo. Não precisamos nos limitar aos pequenos grupos de projetos alternativos, como foram os projetos de rádio e imprensa jovem. Há espaço para testar práticas educomunicativas na sala de aula comum e em grandes eventos, como foi a citada Semana do Estudante. Educomunicar na escola pública é possível e não exige muitos materiais. Educomunicar, como dizia Freinet sobre o educar, exige ter “ter esperança otimista na vida”.

REFERÊNCIAS

KAPLÚN, Mario. Una Pedagogia de La Comunicación. Madri: Ediciones de La Torre (1998).

MAKARENKO, Anton. Poema pedagógico. Editora 34. 1ª edição (2012)


MONTESSORI, Maria. Descoberta Da Criança, A - Pedagogia Científica. Editora Kirion. (2017)


SILVA, Maurício. A contribuição da abordagem triangular do ensino das artes e culturas visuais para o desenvolvimento da epistemologia da educomunicação. Dissertação de Mestrado. ECA/USP. (2016). Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27160/tde-03022017-163215/pt-br.php Acesso em: 18 mar. 2018.

					

Ser Diretor de Escola…

24 de dezembro de 2017

Percurso

Após 14 anos de serviços no funcionalismo público, sempre na área da educação, aceitei o desafio de ser diretor de escola.

O caminho que me trouxe aqui pareceu natural. Quase um acaso. Prestei muitas provas, passei em algumas delas, após ser jornaleiro por quase 2 anos e trabalhar 8 anos ocupando alguns cargos e funções numa empresa de transporte, passei num concurso público da Prefeitura de São Paulo e ingressei como Auxiliar Técnico de Educação em 2003, trabalhando em secretarias de duas escolas. Em 2006 assumi como professor de língua portuguesa, em 2007 assumi a função designada de POIE (professor orientador de informática educativa), cargo que ocupei por 4 anos e onde aprendi muito sobre uso de tecnologias na escola e descobri o Programa Nas Ondas do Rádio, o conceito educomunicação e desenvolvi projetos de imprensa jovem, rádio e jornal escolar. Uma parte dessa história foi contada numa matéria de jornal que está aqui copiada.  Interessado no tema cursei especialização em Mídias na Educação da parceria MEC/E-Proinfo com a ECA/USP e iniciei  em 2011 uma segunda graduação, no curso Licenciatura em Educomunicação também da ECA/USP. Em diferentes momentos acumulei cargo, por ter passado novamente no concurso para professor de língua portuguesa; e duas vezes exonerei o segundo cargo. Em 2013, por indicação do colega Marcelo, assumi novamente uma função designada, dessa vez de Assistente Técnico de Educação atuando no setor de Tecnologias (TIC) da DREPJ – Diretoria Regional de Educação de Pirituba e por isso abandonei a graduação na ECA, dois anos após iniciada. Por ser uma jornada J40 (40 horas semanais) essa designação melhorou um pouco minha remuneração.  Também ocupei essa função por 4 anos, ajudando as escolas da região a lidar com demandas administrativas, com destaque para o Educacenso, a coleta do Bolsa Família e uso do sistema EOL (Escola on Line); aprendi muito sobre uso de tecnologias na administração escolar. Nesse período, para me atualizar e ouvindo dicas de colegas da DREPJ, fiz cursos parcialmente a distância de especialização em Gestão Pública Municipal no polo UNICEU Pera Marmelo e uma segunda graduação em Pedagogia, como complementação para licenciados. Esse segundo curso me habilitou a prestar o concurso para diretor de escola, em que fui aprovado.

Fiz uma carta me despedindo do setor TIC da DRE Pirituba onde também contei um pouco do meu percurso.

AGORA estou aqui. Um ano no cargo/função de Diretor de Escola efetivo. Recentemente me tornei pai da linda Elisa, outro grande desafio; mas preciso agora refletir sobre o que é ser diretor numa escola pública municipal de periferia.

Expectativa

O que acontece quando um professor  inovador, ou pelo menos preocupado em buscar a inovação, resolve ser diretor de escola?
Ou ainda
O que acontece quando um burocrata de chão, um quase técnico de informática num setor de gestão intermediário – preocupado sempre em ajudar as escolas públicas a atenderem bem seus alunos, por quase acaso acaba sendo ele próprio um gestor escolar em contato direto com alunos, professores e comunidade de um escola que não conhecia?
Mais até
Um certo tempo pesquisei o conceito educomunicação, na interface entre educação/comunicação e continuo interessado nisso – mesmo diretor estou procurando meios de fomentar o #educom e sou associado à ABPeducom. Alguns me julgam educomunicador, nome cunhado e possivelmente inventado por Mário Kaplun.
O que acontece quando um educomunicador vira direção escolar?
Essa provocação que faço é para mim mesmo. Pois às vezes me vejo como um professor absolutamente comum, que ficou 4 anos longe da sala de aula e se tornou um gestor inexperiente; mas muita gente espera muito de mim. Altas expectativas.

Oportuno

Tive a grata oportunidade de não sair diretamente da sala de aula para a gestão escolar, ao contrário da maioria dos meus colegas. Minha experiência na DRE e o curso de gestão pública municipal me prepararam pra esperar muita coisa. Mas nem tudo. A dinâmica diária da escola trás uma enormidade de questões, que havia quase me esquecido atuando alguns anos num órgão central, apenas com visitas ocasionais nas escolas.

Também tive a sorte de poder escolher uma escola com boa condição estrutural, apesar de ser antiga e precisando de reformas como a maioria dos equipamentos públicos; e principalmente sem problemas documentais ou processos administrativos. Os colegas da DRE, principalmente a Lilian e o Durval, me indicaram as melhores escolhas entre aquelas que sobraram na minha vez de escolha (num concurso público a sequência de escolha é de acordo com a ordem de classificação). Isso tornou minha adaptação às novas responsabilidades relativamente FÁCIL.

Mesmo assim… e exercitando uma paciência enorme…, como qualquer novo diretor cheguei querendo fazer muitas coisas. Fui cuidadoso ao máximo tentando manter a equipe gestora que já estava na escola, Alexandre, Tereza e Cíntia (assistentes de direção e secretária, cargos de confiança na secretaria municipal de educação que posso escolher livremente, entre aqueles habilitados), pensando que se necessário poderia fazer a transição depois, sem pressa e sem quebrar a dinâmica da escola. Tive a sorte de contar com duas coordenadoras pedagógicas muito boas, Rosana e Juliana, eleitas pelo Conselho de Escola, uma delas iniciando sua atividade nesse mesmo ano e a outra apenas em seu segundo ano de atividade, mas desde do início ambas demonstraram talento e dedicação.

Consegui manter a organização da escola e em alguns pontos me esforcei para melhorar os processos. No entanto uma das minhas metas, que era fomentar projetos de educação integral,  simplesmente fracassou. A escola hoje talvez tenha menos projetos para atender alunos nos seus contra-turno do que já teve em anos anteriores e com poucos alunos participando. Uma parte da culpa disso foi a terrível diminuição do projeto Mais Educação federal e o baixo enfoque em educação integral na gestão atual da prefeitura, mas o principal motivo foi realmente a falta de professores com disponibilidade de tempo. No geral, um grande problema na escola é a falta de profissionais, tanto professores quanto auxiliares, o que atrapalha muito qualquer proposta de qualidade no atendimento. Recentes chamadas de concursos públicos têm aos poucos diminuído esse déficit, mas também temos muitos professores e auxiliares em afastamento por licença médica.

Há também problemas visíveis de aprendizagem e vários procedimentos pedagógicos que não são implementados por todos ou poderiam melhorar muito.

Rotação

Meditando sobre essas dificuldades  e também sobre tudo que ainda é possível fazer nessa adversidade, pensei que a gestão escolar pode ser analisada pelo viés de pelo menos quatro (4) eixos: Concepção de Educação, Recursos Disponíveis, Ousadia e Saúde.

Vou dissertar um pouco sobre cada ponto em separado, mas pensei que cada um desses eixos poderia ter um segundo nome, como uma visão alternativa para ajudar a entendê-los enquanto conceitos. Esses nomes alternativos seriam: Ideologia da equipe gestora, Parcerias, Precaução e Sorte.

1- Concepção de Educação / Ideologia da Equipe Gestora

É fácil dizer que não existe dois lados. Talvez existam muitos. Mas em essência se dividem em dois e quem diz que não tem lado geralmente está do lado do qual discordo. Meu compromisso é com a esquerda: que compreendo como a obrigação do Estado em ser representante do povo e se preocupar com tudo relativo ao povo; o planejamento para cada vez mais pessoas comuns participem diretamente da gestão, sem precisar delegar todas as decisões para um grupo privilegiado; a necessidade de estar sempre engajado na luta constante para promover e garantir cada vez mais igualdade social.

Quem acha que a educação serve também para isso está do meu lado. Mas nem sempre somos sempre coerentes em nossos pensamentos e na execução daquilo que nosso discurso diz ser o mais correto. Há pessoas com discursos lindos que no final simplesmente fazem o serviço sujo do lado contrário – desserviços à educação de qualidade.

Como já deve ter sido dito em algum lugar, a gestão escolar é essencial para promover essa concepção em toda a escola; orientar profissionais para trabalharem todos os dias com esse horizonte: a qualidade da educação, que deve ser sim transformadora; e se necessário fiscalizar e restringir a ação daqueles que fazem o contrário disso – por sorte, uma minoria. A educação é realmente a área que mais atrai profissionais comprometidos com o compartilhamento do saber e a promoção da igualdade.

Não há consenso sobre a melhor forma de alcançar os melhores resultados. Espero aos poucos, pelo diálogo com aqueles que sabem mais, ir formando uma visão consistente que pode ter bons resultados e articular minha equipe nesse rumo.

2- Recursos Disponíveis / Parcerias

A maior parte das demandas da escola, principalmente manutenção, insumos e materiais básicos, são tratadas diretamente pela escola através de verba vinculada. Ou seja, a escola recebe dinheiro para administrar. Em certa medida a escola, ou melhor, a APM – Associação de Pais e Mestres, funciona como uma empresa, com registro em cartório, conta corrente corporativa, contador… Como se pode imaginar, isso é bem complicado para quem tem formação para ser professor de ensino fundamental. Além disso, nem sempre os recursos monetários que recebemos são suficientes. Falta também recursos humanos, é comum que a gestão e até o quadro administrativo tenha que se desdobrar para atender bem alunos, por falta de professores. Com frequência também sofremos com falta de profissionais do administrativo. Falta no sentido de não ter mesmo o profissional disponível para a vaga, ou no sentido de absenteísmo pelos mais variados (justos, compreensíveis ou inconpreensíveis) motivos.

Sei de poucas escolas públicas que não sofram por essas faltas de recursos e a minha não é exceção.

Por isso mesmo a escola sempre precisa de boas parcerias. Colegas que nos visitem trazendo olhares diferentes e novas ideias. Prestadores de serviço de qualidade que possuam preço justo, dentro dos nossos orçamentos e consultores que nos ajudem a usar os recursos de forma transparente e correta. Muitas vezes conseguimos na Diretoria Regional de Ensino – DRE essa consultoria, outras vezes com colegas gestores de outras unidades, inclusive através de consultas informais em grupos de mensagens coletivas. Os sindicatos também podem ser pontos de apoio importantes, não apenas para reinvidicar  mais verbas e melhorias nas condições de trabalho, mas também para orientar ações imediatas no meio do furacão. Os projetos de estagiários Parceiros de Aprendizagem e Cefai (apoio à inclusão) também trouxe para dentro das escolas estudantes para aprender, mas que acabam ajudando bastante.

O importante é sempre buscar e ter ajuda.

3- Ousadia /  Precaução

É normal querer mudar tudo. Nós educadores, ou pelo menos a maioria dos bons professores e professoras que conheço, sentimos também que a escola precisa evoluir. Que é necessário atualizar as formas de aprendizagens. Mas a escola, como é hoje, mesmo com todos os problemas e com toda falta de recursos, ainda funciona. Queremos o novo, mas percebi que ser ousado e apressado demais seria temerário. Antes de mudar algo, é preciso garantir que o sistema não entre em colapso.

Por tudo que contei aqui fica claro que fui precavido.Talvez até demais. Mas o acerto dessa decisão me parece evidente após esse um ano. Ainda estamos construindo as bases da educação e apesar da minha escola ter sido aberta em 1988 e ter alguns profissionais que já trabalham na unidade a mais de 10 anos, ela ainda está construindo um perfil. A ousadia e a inovação não devem e nem precisam ser uma quebra nessa estrutura, já que ela ainda está em formação.

4- Saúde / Sorte

O termo sorte vem de algo que o colega diretor Antonio, conhecido como Tico, me disse quando soube que eu também me tornaria diretor. É preciso muito preparo e muita dedicação para fazer um bom trabalho, mas também é preciso um bocado de sorte. Às vezes as coisas simplesmente não dão certo. Mas a saúde, tanto do gestor quanto dos muitos profissionais da escola, é parte dessa sorte. E zelar para evitar ao máximo prejudicar a própria saúde e a saúde de todos na escola é algo que sempre deve estar em mente. É preciso um nível de energia e disposição, tanto física quanto mental, excepcional para aguentar o tranco constante do trabalho na escola. Uma obra difícil, pois envolve relações intensas com muitas pessoas muito diferentes entre si. Em vários momentos vi colegas fraquejarem e eu mesmo tive que usar toda força de vontade para me manter firme, sem ceder às sombras que às vezes anuviam nossa visão, sem ceder ao desânimo que às vezes nos faz pensar que nada dará certo.

Não é verdade.

Não deu tudo certo, mas muito coisa boa aconteceu nesse ano e analiso esperançoso que os processos estão avançando. No final do ano enviei para os colegas professores uma mensagem muito sincera afirmando isso.  Há notícias de que (talvez) os repasses de verbas voltem pelo menos ao nível de 2016 no próximo ano e que as prestações de contas sejam simplificadas, o que deve ampliar nosso poder de ação e diminuir o trabalho burocrático da equipe gestora. Alguns profissionais novos estão chegando na escola mediante concursos, escolhi uma nova Assistente de Direção para me ajudar após a saída / aposentadoria da colega Tereza e agora que eu a equipe de profissionais da escola nos conhecemos melhor podemos planejar ações que preservem nossa saúde e permitam que a escola realmente avance em sua função social de ensinar.

Nuances
Entremeados nesses EIXOS há algumas nuances da gestão escolar (Inclusive pedagógica) que considero importantes e pretendo analisar em serviço e mostrar na forma de pequenos artigos informais aqui nesse blog, PORQUE podem gerar comentários que me ajudem a pensar e quiça podem ajudar outras pessoas.
Continuando essa discussão iniciada aqui, pretendo em breve escrever sobre:
Curadoria
Zeladoria
Apoio (inclusive burocrático)
Liderança
Essas nuances servem para:
A aula
A Pesquisa
O Planejamento
A Invenção 
Em 2018 continuo firme aqui na escola que escolhi – emef Luiz David Sobrinho. Agora com o desafio de começar a desenvolver e implantar as minhas concepções de educação com a ajuda da minha equipe.
Engraçado como a escola (instituição / espaço / coletivo) ao mesmo tempo que nos cansa, também nos re-alimenta. Nesse Um Ano tive muito estímulo para virar um diretor fechado e conservador. Na verdade comecei a endenter aqueles que são ou parecem ser assim. Mas encontrei também força e ânimo para manter minhas convicções e continuar acreditando que é possível fazer diferente e melhor. Um ano. Mas aconteceu tanta coisa… E isso é só o começo.

Orgulho de ser Funcionário Público e Professor

31 de outubro de 2017
Imagem: adaptada de campanha da UNIFACS. Frase de Paulo Freire.

Imagem: adaptada de campanha da UNIFACS. Frase de Paulo Freire.

15 de Outubro, dia dos Professores e das Professoras

Dentre todas as profissões, a nossa é uma das que mais merece reconhecimento e homenagens. Desde as primeiras letras, passando pelo ensino fundamental até os níveis mais avançados, os professores são aqueles que orientam, encorajam, acreditam. Sim, porque muito mais do que assumir a responsabilidade de ensinar, os professores são aqueles que acreditam ser possível aprender, não importando a idade, apesar de qualquer dificuldade de partida, sempre haverá uma estratégia, um planejamento, uma proposta pedagógica para ajudar o estudante a se descobrir e ser um pouco melhor, aprendendo algo diferente. A cada ano estamos aprendendo como realizar essa tarefa que alguns consideram impossível. Agora, ainda mais do que antes, nossa prática e nossa reflexão sobre a prática não pode ficar restrita na sala de aula ou na instituição escola, porque há muitos movimentos legais e políticos ameaçando nossa profissão e o futuro dos nossos filhos e dos nossos alunos. Ser professor, ser professora, é também pensar sobre a sociedade e estar sempre em prontidão para agir pela melhoria de toda a sociedade. É um grande orgulho fazer parte de um grupo com tão nobre e difícil tarefa.

A equipe gestora da escola professor Luiz David Sobrinho se orgulha de fazer parte desse grupo de professores e colegas funcionários que são sempre também educadores. Feliz dia!

Não por acaso nesse mesmo mês de Outubro também se comemora o Dia das Crianças e o Dia do Funcionário Público.

Na Folha Dirigida (jornal para concurseiros)

31 de outubro de 2017

Saiu uma pequena matéria sobre mim no jornal Folha Dirigida do Rio de Janeiro, edição de 17/10/17, por Indicação do amigo Antonio Batist, que é artículista no jornal. Apesar de curta conta um pouquinho da minha trajetória. Há um errinho no último parágrafo, que cita Secretaria de Educação, quando o correto seria “Secretaria de uma escola”. Também não me considero um “concurseiro”, mas sim integrante de uma carreira, já que todos os concursos que prestei com sucesso foram no mesmo sistema. Mesmo assim compartilho. Valeu, Tom.

Link para PDF da página.

A mesma matéria  já com algumas correções saiu na edição São Paulo de sábado 21/10.

Semana do Estudante – Raízes do Brasil

16 de agosto de 2017

Semana do Estudante da escola Luiz David Sobrinho

O que é. Como foi em 2017.

Foi impressionante. E desconfio que quem vivenciou essa experiência na escola, seja como aluno, professor ou palestrante visitante, tem muito o que meditar e rever sobre práticas escolares e as muitas formas de estudar e aprender.

A história da Semana do Estudante começa em 2005, com a fundação oficial do Grêmio Estudantil da escola municipal de ensino fundamental Professor Luiz David Sobrinho, chamado Jovens Na Atividade. O grêmio foi  inaugurado no dia do estudante, 11 de agosto, proposto como um dia especial para troca de livros entre alunos na nossa escola. No entanto, antes disso, em 2002, alguns alunos participantes do projeto Educom.Radio já haviam tentado montar um grêmio na escola. O evento de troca de livros continuou ocorrendo nos anos seguintes, sempre acompanhado por atividades diferenciadas durante a semana, mas aquela que pode ser considerada a primeira edição da Semana do Estudante, com oficinas e palestras feitas por ex-alunos, atletas, artistas e professores convidados, aconteceu apenas em 2015. A proposta foi tão bem aceita que foi repetida no ano de 2016, desta vez contando com mais palestrantes e com várias disputas.

O tema de inspiração em 2016 foram as olimpíadas, assim os alunos foram divididos em grupos representando os cinco continentes. Foi uma proposta ousada, que fez alunos de fundamental 1 (primeiro ao quinto ano) se misturarem com alunos de fundamental 2 (do sexto ao nono ano), independente de idade ou nível de aprendizagem. A colaboração e aliança superaram as diferenças e os alunos puderam experimentar um novo jeito de aprender.

Em 2016, como parte da participação da escola no Parlamento Jovem, a aluna Mayara da Silva Tavares (na época 9º ano), apresentou o projeto de lei PL 162/2016 para instituir no calendário oficial de todas as escolas municipais a Semana do Estudante e o dia de troca de livros na finalização da semana dia 11 de agosto. O relato da participação da aluna está publicado no Diário Oficial do Município, data 28/01/2017 a partir da página 68. O vereador Laércio Benko encampou o projeto para ser regulamentado oficialmente.

Nessa foto de 2013 na Câmara Municipal, Mayara é a 5a na segunda fileira.

Nessa foto de 2013 na Câmara Municipal, Mayara é a 5a na segunda fileira.

Em 2017 a escola recebeu um novo diretor, esse que escreve, que já chegou encantado pelos relatos sobre as edições anteriores. Toda a gestão atual da escola, diretor Fabio, assistentes Tereza Cristina e Alexandre Afonso e principalmente as coordenadoras pedagógicas Rosana da Costa e Juliana Quintino e nosso coordenador do grêmio escolar professor Adenilto se empenharam em viabilizar e organizar a terceira edição desse grande evento. Como tema motivador sugeri o livro Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, que comemorou 80 anos de publicação em 2016. Assim as turmas foram divididas em 5 grandes grupos, que representavam as principais raízes culturais da nossa nação: Indígena, Africana, Europa, Ásia e Estadunidense. Todos os professores trabalharam muito, planejando atividades e organizando suas turmas.

(foto: Companhia das Letras/Divulgação)

Dessa vez, foi dada menor ênfase à competição, sendo decidido que apenas alunos com destaques nas atividades seriam premiados com medalhas. Como já havia ocorrido na edição anterior, também tivemos grande dificuldade para organizar a participação dos visitantes voluntários, palestrantes que convidamos para dialogar com os alunos: professores colegas, profissionais de outras áreas e ex-alunos desta e de outras escolas. O maior problema foi realmente a agenda, pois o tempo disponível pelos palestrantes era restrito e temos poucos recursos para poder remunerar as participações. As colaborações foram todas excelentes, mas sempre atendendo apenas partes da comunidade escolar.

Nesta edição de 2017 pudemos contar com algumas palestras notáveis

  • Nicolas, ex-aluno da escola até 2002 e atualmente estudante de direito contou como foi sua participação no projeto piloto Educom.Radio, que depois se transformou no Programa Nas Ondas do Rádio, atual Núcleo de Educomunicação. Nicolas contou que devido a essa participação foi escolhido para representar o projeto em Brasília.

Nicolas, ex-aluno da nossa escola e estudante de direito

https://www.facebook.com/emefldsobrinho/videos/2193836967299586/

  • De Caieiras veio a Banda Visual Samba Black, com vocal de Gleibson Reis. Contaram um pouco da história do samba com música.

                                        

Visual Samba Black de Caieiras com coordenadoras Juliana e Rosana e diretores Tereza e Fabio

Francine Flor do Coletivo Januárias na Janela

  • Michel Yakini, ex-aluno do professor Adenilto, membro do Sarau Elo da Corrente de Pirituba,, poeta e escritor de livros, dialogou com os alunos contando sua história, recitou poemas próprios e homenageou Solano Trindade.

Michel Yakini, escritor

Imagem do blog Elo da Corrente (editada)

  • Kaneda Mukhtar, músico, cantor e poeta, falou sobre cultura hip hop e a importância da leitura e da escrita. Kaneda e sua banda de punk rock Asfixia Social, que fez uma apresentação especial na escola no fechamento da Semana, no sábado, foram convidados pelo professor Carlos, também músico.

Kaneda recitou poemas e tocou trompete                                                        

Kaneda Mukhtar e Carlos Saffiotti

Eliana Lorieri

  • Alyson Kwabena, ex-aluno da EMEFM Antônio Alves Veríssimo e DJ, falou sobre cultura afro e citou o trabalho do artista Hugo Canuto, que interpretou os orixás com um designer pop de histórias em quadrinhos.

Alyson Kwabena ex aluno emefm antonio alves

  • Fizemos um concurso de desenhos sobre as temáticas estudadas durante a semana, e algumas das melhores artes foram grafitadas por Rodrigo Campos com ajuda de seu irmão Tiago e do funcionário Hernandez, criando um registro do evento na parede.

Grafite por Rodrigo Campos com artes dos alunos

  • Ricardo Vicente, professor de Muay Thai junto com seu aluno demonstrou um pouco dessa arte marcial e falou sobre a importância da disciplina para o esporte e para a vida.

Hernandez, coordenadora Juliana, Ricardo Vicente e Fabio

  • Nossa coordenadora Rosana fez rodas de dança circular com os alunos e no sábado também com a comunidade escolar.
  • A professora Silvania Francisca de Jesus contou histórias africanas e indígenas, contando com apoio de seu companheiro Salvador.

Silvania, Salvador e coordenadora Rosana na Sala de Leitura

  • Os alunos participaram de saraus, show de talentos e trocas de livros

Sarau

Troca de Livros, tradicional da escola todo dia 11 de agosto

Carlos Lima do Núcleo de Educomunicação

  • Cadu Fernandez, pioneiro do projeto Educom.Radio falou sobre rádio escolar e também foi responsável por localizar o ex-aluno Nicolas.

Cadu Fernandez (clique para ver trecho em vídeo)

  • Professor Marcio Silva, do projeto “Samba também se aprende na escola”, foi liberado pela gestão da EMEF Enzo Antonio Silvestrin para participar da nossa Semana do Estudante com uma oficina de percussão com alguns dos nossos alunos e no fechamento do evento a bateria tocou para o desfile das delegações.

Marcio Silva da EMEF Enzo Antonio Silvestrin

https://www.facebook.com/sambanaescola/videos/819413291556338/

  • Os grupos de estudo viraram verdadeiras delegações, que fizeram lindos desfiles tanto na abertura quanto no fechamento do evento, segunda e sexta-feira.

Desfile delegações

(imagem transmitida ao vivo. O ex-aluno Matheus fez a captação)

 Tentamos documentar ao máximo essa semana. A maioria das fotos e filmagens foram feitas pelos próprios estudantes, utilizando equipamentos da escola e estão disponíveis nesse link:             https://goo.gl/photos/G73mCohtsd1DjuHS6

Quebrar um pouco das grades escolares foi sobretudo divertido. Fascinante. A avaliação geral da comunidade escolar foi de aprovação e desejando a continuidade. Mas também foi muito cansativo. Para que se tornasse mais uma rotina, em vez de algo raro e excepcional, a escola precisa de mais recursos humanos e financeiros. Como já foi citado, há inclusive um projeto de lei para inserir a semana no calendário oficial, mas sobretudo precisamos buscar formas de continuar tendo atividades tão interessantes assim na escola em outros momentos.

 

 

Só Emoção – Rosa Maria Panicali cantando

26 de março de 2017

Foi bom – Despedida do setor TIC da DRE Pirituba

14 de dezembro de 2016

Em 2013, quando fui chamado a participar da equipe do setor TIC na DRE Pirituba Jaraguá comprei um caderninho (pequeno e sem pautas, para ser fácil de carregar) e abri um arquivo no programa Evernote (de notas virtuais) onde fui anotando tudo que precisava saber. Fui chamado por indicação do colega Marcelo Santos, que chegou a integrar equipe num CEU na DRE Pirituba, mas por questões pessoais infelizmente saiu da rede municipal. A princípio deveria eu integrar a equipe do atual DICEU, mas o Sr. Antonio Rodrigues da Silva, que na época era o dirigente regional, achou melhor me alocar no setor de suporte a tecnologias, comunicação e informações gerenciais.

Apesar de já ter trabalhado com EOL, sistema escola online, quando fui auxiliar técnico nas secretarias das escolas EMEF Jose Alcântara Machado Filho (DRE Butantã) e EMEF Jairo de Almeida (DREPJ), já fazia muito tempo que não mexia com sistemas da Prefeitura de São Paulo.

Minha experiência de 4 anos como POIE na EMEF Fernando Gracioso ajudou muito, é claro, mas a dinâmica do TIC era muito diferente da que tinha como professor de ensino fundamental. Estudar é o que nós, como professores, fazemos melhor. Podemos estudar em serviço. E estudar foi algo que fiz muito, para tentar cumprir principalmente as demandas dos sistemas EDUCACENSO, BOLSA FAMÍLIA, bilhetagem das Impressoras da GOLDEN e o início da implantação do SEI – Processos Eletrônicos, que ficaram sob minha responsabilidade aqui na DRE Pirituba.  Nesses 4 anos de TIC também ajudei as escolas na participação do Programa Mais Educação Federal e agora no final de 2016 a inscrição no Novo Mais Educação. E sempre que possível ajudei as equipes de Imprensa Jovem participantes do Programa Nas Ondas do Rádio, recentemente transformado no Núcleo de Educomunicação.

Estudar enquanto se trabalha é essencial. Aprender na prática e com ajuda dos colegas. Mas é importante também buscar atualização em cursos externos. Nesse período que estive no TIC cursei a Especialização em Gestão Pública Municipal, aberto logo quando foi inaugurada a unidade UNICEU / UAB do CEU Pera Marmelo. Também nesse período fiz o curso semipresencial de complementação pedagógica, que me habilitou como pedagogo. Minha formação básica é em Letras Língua Portuguesa e Linguística e enquanto professor antes havia cursado a especialização em Mídias na Educação.

Foi um grande aprendizado esse período aqui na DRE Pirituba. Tive a sorte de trabalhar com excelentes profissionais e estagiários, muitos dos quais se tornaram amigos. Tive a sorte de ter como chefia imediata Ary Sergio Olinisky, engenheiro com grande experiências em gestão de informática, assim como o atual dirigente Marcos Manoel dos Santos e toda excelente equipe do gabinete da DRE Pirituba, da qual é impossível não citar a Dona Olga Kalil Figueiredo.

Batalhei o máximo possível para que a gestão Haddad fosse a melhor possível na DRE Pirituba. Infelizmente essa gestão não continua, mas espero que tenhamos deixado um bom legado que poderá ser continuado. Cabe a todos nós continuar cobrando a melhoria no atendimento ao público e os recursos para garantir a qualidade na educação.

Foi bom. Mas agora parto para um novo desafio. Vou mais uma vez ter que estudar em serviço e aprender muita coisa que ainda não sei, mesmo já tendo 40 anos de idade e já tenha 13 anos de serviços como funcionário público. A partir de 02 de janeiro de 2017 estarei como diretor de escola na EMEF Luiz David Sobrinho, localizada no bairro Jaraguá.

Só quero dizer muito obrigado a todos e todas que ajudaram nesse percurso. Se precisarem de ajuda, me procurem, pois com certeza irei procurar vocês quando precisar. Quem puder, apareça na minha nova escola para um café.

Feliz natal e prosperidade no próximo ano.

Em tempo: Vou iniciar nesse blog uma série de artigos que chamarei “Quando um educomunicador quer saber o que é ser gestor escolar“, onde pretendo relatar um pouco do aprendizado e das vivências que terei como diretor de escola. O título é uma referência ao famoso artigo Quando o sociólogo quer saber o que é ser professor – Entrevista com François Dubet.