Não penso, não existo, só assisto

25 25UTC Junho 25UTC 2009 at 8:31 (Não classificado) (, , , )

Permalink 2 Comentários

O homem que calculava – Capítulo III

21 21UTC Junho 21UTC 2009 at 19:00 (Não classificado) (, )

Onde é narrada a singular aventura dos  35 camelos que deviam ser repartidos por  três árabes. Beremiz Samir efetua uma divisão
que parecia impossível, contentando  plenamente os três querelantes. O lucro  inesperado que obtivemos com a transação.

Poucas horas havia que viajávamos sem interrupção, quando nos ocorreu uma aventura digna de registro, na qual meu companheiro Beremiz, com grande talento, pôs em prática as suas habilidades de exímio algebrista.
Encontramos, perto de um antigo caravançará meio abandonado, três homens que discutiam acaloradamente ao pé de um lote de camelos. Por entre pragas e impropérios gritavam possessos, furiosos:
- Não pode ser !
- Isto é um roubo !
- Não aceito !
O inteligente Beremiz procurou informar-se do que se tratava.
- Somos irmãos – esclareceu o mais velho – e recebemos, como herança, esses 35 camelos.
Segundo a vontade expressa de meu pai, devo receber a metade, o meu irmão Hamed Namir uma terça parte e ao Harim, o mais moço, deve tocar apenas a nona parte. Não sabemos, porém, como dividir dessa forma 35 camelos e a cada partilha proposta segue-se a recusa dos outros dois, pois a metade de 35 é 17 e meio. Como fazer a partilha se a terça parte e a nona parte de 35 também não são exatas?
- É muito simples – atalhou o Homem que Calculava. – Encarrego-me de fazer, com justiça, essa divisão, se permitirem que eu junte aos 35 camelos da herança este belo animal que, em boa hora, aqui nos trouxe!
Neste ponto, procurei intervir na questão: – Não posso consentir em semelhante loucura! Como poderíamos concluir a viagem, se ficássemos sem o camelo?
- Não te preocupes com o resultado, ó Bagdali! – replicou-me em voz baixa Beremiz – Sei muito bem o que estou fazendo. Cede-me o teu camelo e verás no fim a que conclusão quero chegar.
Tal foi o tom de segurança com que ele falou, que não tive dúvida em entregar- lhe o meu belo jamal, que, imediatamente, foi reunido aos 35 ali presentes, para serem repartidos pelos três herdeiros.
- Vou, meus amigos – disse ele, dirigindo-se aos três irmãos – fazer a divisão justa e exata dos camelos que são agora como vêem, em número de 36.
E, voltando-se para o mais velho dos irmãos, assim falou:
- Deverias receber, meu amigo, a metade de 35, isto é, 17 e meio. Receberás a metade de 36 e, portanto, 18. Nada tens a reclamar, pois é claro que saíste lucrando com esta divisão!
E, dirigindo-se ao segundo herdeiro, continuou:
- E tu, Hamed Namir, deverias receber um terço de 35, isto é, 11 e pouco. Vais receber um terço de 36, isto é, 12. Não poderás protestar, pois tu também saíste com visível lucro na transação.
E disse, por fim, ao mais moço:
- E tu, jovem Harim Namir, segundo a vontade de teu pai, deverias receber uma nona parte de 35, isto é, 3 e tanto. Vais receber a nona parte de 36, isto é, 4. O teu lucro é igualmente notável. Só tens a agradecer-me pelo resultado!
E concluiu com a maior segurança e serenidade:
- Pela vantajosa divisão feita entre os mãos Namir – partilha em que todos saíram lucrando – couberam 18 ao primeiro, 12 ao segundo e 4 ao terceiro, o que dá um resultado (18+12+4) de 34. Dos 36 camelos, sobram, portanto, dois. Um pertence, como sabem, ao Bagdali, meu amigo e companheiro, outro toca por direito a mim, por ter resolvido, a contento de todos, o complicado problema da herança!
- Sois inteligente, ó Estrangeiro! – exclamou o mais velho dos três irmãos. – Aceitamos a vossa partilha na certeza de que foi feita com justiça e equidade!
E o astucioso Beremiz – o Homem Calculava – tomou logo posse de um dos mais belos “jamales” do grupo e disse-me, entregando-me pela rédea o animal que me pertencia:
- Poderás agora, meu amigo, continuar a viagem no teu camelo manso e seguro. Tenho outro, especialmente para mim!
E continuamos nossa jornada para Bagdá.

Malba Tahan
Na verdade, o genial professor, educador, pedagogo, escritor e conferencista brasileiro Júlio César de Mello e Souza (Rio de Janeiro, 6 de maio de 1895 — Recife, 18 de junho de 1974) , na data de seu nascimento comemoramos o Dia da Matemática.

Leia o livro

TEXTO PARA EXERCÍCIO DE LÍNGUA PORTUGUESA – PROF. Fábio //  Blog da escola: www.radiograciosa.multiply.com

Permalink 1 Comentário

Usando Twitter

21 21UTC Junho 21UTC 2009 at 10:05 (Não classificado)

Permalink Deixe um comentário

Chover e Cio da Terra

14 14UTC Junho 14UTC 2009 at 19:46 (Não classificado) ()

Chover (ou Invocação Para Um Dia Líquido)

Cordel Do Fogo Encantado

Composição: Lirinha; Clayton Barros

“O sabiá no sertão

Quando canta me comove

Passa três meses cantando

E sem cantar passa nove

Porque tem a obrigação

De só cantar quando chove*

Chover chover

Valei-me Ciço o que posso fazer

Chover chover

Um terço pesado pra chuva descer

Chover chover

Até Maria deixou de moer

Chover chover

Banzo Batista, bagaço e banguê

Chover chover

Cego Aderaldo peleja pra ver

Chover chover

Já que meu olho cansou de chover

Chover chover

Até Maria deixou de moer

Chover chover

Banzo Batista, bagaço e banguê

Meu povo não vá simbora

Pela Itapemirim

Pois mesmo perto do fim

Nosso sertão tem melhora

O céu tá calado agora

Mais vai dar cada trovão

De escapulir torrão

De paredão de tapera**

Bombo trovejou a chuva choveu

Choveu choveu

Lula Calixto virando Mateus

Choveu choveu

O bucho cheio de tudo que deu

Choveu choveu

suor e canseira depois que comeu

Choveu choveu

Zabumba zunindo no colo de Deus

Choveu choveu

Inácio e Romano meu verso e o teu

Choveu choveu

Água dos olhos que a seca bebeu

Quando chove no sertão

O sol deita e a água rola

O sapo vomita espuma

Onde um boi pisa se atola

E a fartura esconde o saco

Que a fome pedia esmola**

Seu boiadeiro por aqui choveu

Seu boiadeiro por aqui choveu

Choveu que amarrotou

Foi tanta água que meu boi nadou***

*Zé Bernardinho

**João Paraíbano

***Toque pra boiadeiro

O Cio da Terra

Composição: Milton Nascimento / Chico Buarque

Debulhar o trigo

Recolher cada bago do trigo

Forjar no trigo o milagre do pão

E se fartar de pão

Decepar a cana

Recolher a garapa da cana

Roubar da cana a doçura do mel

Se lambuzar de mel

Afagar a terra

Conhecer os desejos da terra

Cio da terra, a propícia estação

E fecundar o chão

blog da escola:

www.radiograciosa.multiply.com

AULA DE PORTUGUÊS – PROF. FÁBIO

Permalink 1 Comentário