Tio sete vezes + Outra São Paulo (atualizado com fotos)

30 30UTC Novembro 30UTC 2007 at 22:17 (educação, nossa sao paulo, ong, terceiro setor)

Nasceu meu sétimo sobrinho (veja fotos). Terceiro filho de minha irmã caçula, a Fernanda, nasceu 30 de novembro às 8h30. Este o grande evento do meu dia, apesar de eu não ter participado e só ter tomado conhecimento agora à noite.

Amanhã vou tentar ve-lo no hospital, junto com minha irmã Alessandra.

Além disto, conforme prometido, participei do Fórum sobre educação do Movimento “Nossa São Paulo: Outra Cidade”.

Como bem resumiu o colega professor Givaldo, é o terceiro setor entrando na escola, para ocupar um espaço não apenas vago como descaradamente oferecido pelo estado. Fazer o que, né. Como professor e funcionário público deixei bem clara minha crítica às ONG’s, mas na falta de opção a gente aceita a ajuda que aparecer. Tive o prazer de rever meu professor, Elie Ghanem, que falou sobre gestão democrática e contou sua experiência com o Fórum de Educação da Zona Leste, e participei do grupo de discussão sobre este tema.

Com mais tempo colocarei algumas fotos (e talvez videos) no multiply.

Atualizao este post em 6/1/2008, colocando aqui as fotos publicadas no site no movimento “Nossa Cidade”:
http://www.nossasaopaulo.org.br/verconteudo.asp?idsecao=87

Eu apareço em uma das fotos!



Fotos: Moisés Moraes e Tatiana Cardeal

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ABC da miséria nacional – Reblogado (também recebi este por e-mail)

30 30UTC Novembro 30UTC 2007 at 22:07 (fhc, preconceito)

SÃO PAULO – “Sabemos falar muito bem a nossa língua (…). Queremos brasileiros melhor educados (sic), e não brasileiros liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria.” O que foi isso? Um acesso de esnobismo? Uma manobra diversionista para desviar o foco do mensalão tucano? Inveja e despeito? Um pouco de tudo, mas antes de mais nada Fernando Henrique Cardoso foi vulgar e mesquinho ao açular nesses termos o velho preconceito de classe que ele um dia já combateu.
Que o professor emérito e de carreira internacional tenha tropeçado no idioma nativo justamente quando zombava do metalúrgico pouco letrado é um detalhe cômico que só torna o episódio mais grotesco. O essencial não está, obviamente, no maltrato da língua, o que nem é novidade. O sociólogo um dia já manobrou muito bem as idéias, mas nunca foi um estilista. Seu texto é sofrível. Também nisso é legítimo representante da elite local.
Os tucanos falam muitas línguas, são gente que trabalha e estuda, que estuda e trabalha, disse o príncipe. Pois os estudiosos deveriam ler as 90 páginas da denúncia do procurador-geral Antonio Fernando Souza sobre o valerioduto do PSDB. Está em português, claro e cristalino.
Ali o esquema de rapinagem dos cofres públicos a serviço de Eduardo Azeredo em 1998 é descrito como “origem e laboratório” do mensalão petista. A diferença entre a farra mineira e a que se deu sob Lula seria de escala. Não é uma gincana muito edificante.
“Estamos aprendendo com a Era Fernandina como de fato ficou brutalmente estúpido ser inteligente”, escreveu no caderno Mais!, ainda em 2001, o filósofo Paulo Arantes. O “apagão” da inteligência progressista desde então só avançou. E já ficou claro a essa altura que tal breu está relacionado à falta de perspectiva decente para o país. Ou, como disse João Moreira Salles em entrevista à Folha, “nossas ambições se tornaram mais medíocres”. É um moço bem-educado. E ele FHC conhece muito bem.

fonte.

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Acessando Youtube

29 29UTC Novembro 29UTC 2007 at 21:27 (acesso livre, proxy, youtube)

Parece que o youtube está bloqueado em algumas máquinas corporativas, o que me parece incoerente. Portanto, achei uma dica. Pode ser que não funcione, mas tentem acessar através de:

http://www.vtunnel.com/

E para baixar os videos do youtube para uso pedagógico há duas boas opções:
http://vixy.net/
(bem simples. É só copiar o url do video que aparece no canto esquerdo e colar neste site; mas às vezes ele falha)

e
http://www.mediaconverter.org/
(clique em “ Convert a file directly from Youtube.com” e cole a url, depois é só seguir o passo a passo, raramente falha)

DICA LEGAL:

Mesmo que não seja possível assistir o video (tive alguns problemas), não desanime. Copie o url do video, que aparece bem no alto da págino, no campo abaixo de “www.vtunnel.com” e ao lado do botão “GO”, e cole nos campos adequados de um dos sites de conversão indicados. Possívelmente o vide será baixado e poderá ser aberto com o Windows Media Player.

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meu novilho brasileiro que a natureza criou + livros do MEC

28 28UTC Novembro 28UTC 2007 at 20:42 (MEC, negritude)

Uma das músicas cantadas pelo “A Quatro Vozes’ (ver post anterior)

“Lá vem meu boi urrando,
subindo o vaquejador,
deu um urro na porteira,
meu vaqueiro se espantou,
o gado da fazenda
com isso se levantou.
Urrou, urrou, urrou, urrou
meu novilho brasileiro
que a natureza criou!”

Toada de Boi do Sotaque de Pindaré, do cantador Coxinho

Uma dica: É possível solicitar gratuitamente pela internet bibliografia de orientação do MEC. Ano passado pedi e recebi livros sobre inclusão (é preciso saber o título certinho e pedir no setor correto). Hoje pedi o livro indicado no evento “Roda de Conversa”:

Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana
http://diversidade.mec.gov.br/sdm/objeto/publicacao/download_capa.wsp?tmp.publicacao.capa=214
Fui lá no site do MEC fazer o pedido:

http://mec.gov.br/index.php?option=content&task=view&id=351&Itemid=511

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Roda de Conversa: Tramas da cor no CEU Pera Marmelo

28 28UTC Novembro 28UTC 2007 at 18:46 (cultura, igualdade, livros indicados, negritude, pedagogico, poesia, respeito)

Participo do evento “RODA DE CONVERSA” no teatro do CEU Pera Marmelo, das 08 às 12 horas. Já trabalhei na EMEF deste CEU EM 2005.

Elisa, diretora pedagógica da CE Pirituba, apresentou o evento, reclamando do número reduzido de participantes, menos de 30, com certeza decorrência dos fechamentos burocráticos exigidos nesta época do ano. Assistimos belo show do grupo “A Quatro Vozes”. Não tirei fotos pois esquecei de levar as pilhas! O grupo vale nossa atenção e em maio de 2008 estará lançando seu terceiro disco, no memorial da américa latina.
http://www.ajorb.com.br/ipe/capa/imagem/voz1.jpgachei esta imagem na net, mas ela não mostra os instumentistas (violão e percussão) que são ótimos.

Depois ouvimos a professora Rosa Margarida de Carvalho Rocha, autora do livro Almanaque Pedagógico Afro-Brasileiro.

http://kitabulivraria.files.wordpress.com/2007/05/paradidaticos09_p.jpg

Ela falou sobre a Implantação da Lei 10.639 e o Cotidiano Escolar, inclusive dando dicas específicas para cada disciplina.

Complementando a fala da professora Rosa, tivemos o prazer de ouvir a professora Raquel de Oliveira, autora do livro “Tramas da Cor”, que de certa forma torna real e presente o preconceito racial contando um caso real de racismo, com a aluna Jéssica, e também fornece esperança ao mostrar como este caso foi tratado e os resultados positivos possíveis.

A professora Rosana leu o primeiro capítulo deste livro e Raquel apresentou um resumo explicativo de suas partes. Emocionante e Fantástico. Ela terminou lembrando algumas grandes figuras negras brasileiras e mostrando dois poemas.

Alguns citados: Carolina Maria de Jesus (escritora), Antonieta de Barros, Luiza Mahin (líder malê), Cuti (poeta, ainda vivo), Solano Trindade, Rainha Nzinga, etc…

Em tempo, ambos os livros estão disponíveis nas Salas de Leitura das escolas municipais de São Paulo.

Aproveitem os poemas:

A PALAVRA NEGRO

Cuti


a palavra negrotem sua história e segredoveias do São Franciscoprantos do Amazonase um mistério Atlântico

a palavra negrotem grito de estrelas ao longesons sob as retinasde tambores que embalam as meninasdos olhosa palavra negrotem chaga tem chega!tem ondas fortessuaves nas praias do apegonas praias do aconchego

a palavra negroque muitos não gostamtem gosto de sol que nasce

a palavra negrotem sua história e segredoo sagrado desejo dos doces vôos da vidao trágico entrelaçadoe a mágica da alegria

a palavra negrotem sua história e segredoé o bálsamo para o medoem chagas aberto no corpo de nosso país

a palavra negrosumo deste solonos neurônios da raiz.(Batuque de Tocaia)

© Cuti (Luiz Silva)

Zumbi

Zumbi morreu na guerra
Eterno ele será
Rei justo e companheiro
Morreu pra libertar
Zumbi morreu na guerra
Eterno ele será
Se negro está lutando
Zumbi presente está
Herói cheio de glórias
Eterno ele será
À sombra da gameleira
A mais frondosa que há
Seus olhos hoje são lua,
Sol, estrelas a brilhar
Seus braços são troncos de árvores
Sua fala é vento é chuva
É trovão, é rio, é mar.

Solano Trindade (1908 – 1974), poeta da militância negra, pintor, teatrólogo, ator e folclorista. Iniciou junto com outros artistas, nos anos 60, na cidade de Embu, o núcleo cultural que contribuiu para o atual batismo de Embu das Artes.

No dia 20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra , em 1695 (ainda no século XVII), o líder negro Zumbi foi assassinado no quilombo dos Palmares.

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O que é ler?

27 27UTC Novembro 27UTC 2007 at 17:38 (leitura)

Os dois textos abaixo estão circulando pela internet mas também foram publicados em jornais e revistas. Podem motivar uma interessante discussão sobre o que é leitura e, talvez, como ensinar crianças a lerem de uma maneira mais fácil e rápida.

De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea.
Itso é poqrue nós não lmeos cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.
Sohw de bloa.

Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito.

35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!

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Para educador, escola formal não serve para educar

26 26UTC Novembro 26UTC 2007 at 20:25 (alternativa, educação, entrevista, tiao rocha)

“A Escola formal não está só na forma. Está dentro da fôrma. O pior é quando está no formol. É um cadáver.” É assim que o educador mineiro Tião Rocha, 59, vê o ensino convencional, de cujos métodos e conteúdos se afastou há mais de 20 anos para experimentar processos alternativos de educação.

À frente do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento desde 1984, Rocha sempre persegue “maneiras diferentes e inovadoras” de educar, alfabetizar, gerar renda. Ele distingue educação de escolarização e busca um sonho: escolas que sejam tão boas que professores e alunos queiram freqüentá-las aos sábados, domingos e feriados. “Se ninguém fez, é possível”, diz.

continue lendo a entrevista no site do jornal:

http://www1.folha.uol.com.br/

folha/educacao/ult305u348104.shtml

http://www.museudapessoa.com.br/MuseuVirtual/ficha/uploads/fotos/7996/tiao_criancas2p.jpg

Para mais informações consulte:

http://www.cpcd.org.br/

Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento

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UCA/OLPC no Jô Soares

24 24UTC Novembro 24UTC 2007 at 19:09 (olpc, uca)

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FHC, o português correto e outras mentiras sobre educação – crítica enviada via e-mail pelo colega Carlos

24 24UTC Novembro 24UTC 2007 at 9:08 (educação, lingua, politica, preconceito)

Bom texto que recebi via e-mail do colega Carlos, o Mudhah. A fala de FHC chega a ser perigosa e irresponsável, já que muitas pessas, inclusive professores, concordam com estes preconceitos sem nem perceberem que é preconceito e achando que escrever/falar segundo uma norma valorizada, ou falar mais de uma língua com disse FHC, equivale a ser inteleligente e competente. Precisamos desconstruir estas idéias e mostrar que o povo pode inventar outras melhores, se quiser.

Divulgo o texto aqui no blog e com certeza vou colocá-lo no grupo do qual participo, o TIC (tecnologias de informação e comunicação) de Pirituba.

Prezados colegas Professores,
Esta é uma sincera e honesta contribuição ao polêmico debate que já se iniciou hoje e promete estender-se por mais alguns dias sobre o tema educação, língua e o atual presidente do país representados na fala de FHC numa convenção do PSDB em Brasília na data de 23/11/2007.
Desculpe-me por incomodar aqueles que não se interessam por este tema ou debate.
Saudações,
Carlos Carota

FHC, o português correto e outras mentiras sobre educação
Carlos Carota-23/11/2007
Odeio utilizar ao escrever o tom prescribente, ou melhor seria talvez valer-me de um neologismo, o prescritivismo pedagógico, que, principalmente nós professores, utilizamos diariamente em nossas falas, aulas ou textos, mas como ajudam-nos entender Bourdieu e Foucault, falar, tomar a palavra, já é um ato político em si, portanto, de disputa de poder, ou pelo poder, então não me eximirei de alguma crítica possível por apelar a meus colegas para tomarem algumas atitudes em relação ao que relato. Também já estou sabendo de antemão que poderão objetar a tal súplica, condenando-me ou simplesmente ignorando minha solicitação.
Pois bem, na data de hoje, na convenção nacional do PSDB, em Brasília, o “nobre” FHC, de quem os últimos dois mandatos todas pessoas decentes e minimante comprometidas com causas sociais gostariam de esquecer, fez críticas pesadíssimas ao atual ocupante do executivo federal, o presidente Lula.
As críticas começaram pelo já manjado preconceito lingüístico contra a variedade do português imaginariamente falada pelo presidente. Uma atitude que revela, no mínimo, um gritante ato de discriminação. Postura contrária até aos documentos oficiais publicados pelo MEC durante reinado de “sua sapiência” e de seu ministro da deseducação, o infesto professor(sic) Paulo Renato de Souza, os PCN. Lá, para quem já teve a oportunidade de ler, há condenações veementes à discriminação das variedades lingüísticas faladas pelos brasileiros.
Claro, como os PCN não são documentos revolucionários, permanecem apenas no apelo ao respeito e tolerância às manifestações das diferentes formas de falar o português no Brasil. Fato que em si já é um avanço em relação à histórica discriminação das pessoas, não casualmente as mais pobres, de regiões menos industrializadas, tais como o NE e áreas rurais de todo o país.
É certo que um documento mais progressista no mínimo defenderia não só o respeito, mas a valorização das diferentes variedades como elemento enriquecedor da humanidade de nós todos, pois é da tradição dos movimentos progressistas a valorização da diversidade como fundamento da convivência pacífica, produtiva e enriquecedora.
Historicamente pode-se perceber que todo projeto homogeneizador é de natureza fascista e visa apenas a facilitação do controle e da vigilância dos governos, controlados por elites religiosas, políticas e econômicas sobre suas populações. Na questão lingüística, sob o pretexto de termos tais como: língua nacional, materna, pátria, vernácula foi a tentativa homogeneizadora que imperou no nascimento dos Estados-Nações europeus no século XIX com a perseguição dos dialetos e diferentes falares nas regiões que nunca coincidiam com as divisas simbólicas do plano político. Tal homogeneização assim foi promulgada no Brasil com o decreto pombalino de proibição do uso da língua geral falada em todo o país, o nheengatu, nas relações cotidianas, bem como no ensino de língua nas escola em detrimento da língua dos colonizadores, o português. Foi assim também no governo de Vargas, fascista, embora alguns discordem disto, com a perseguição e proibição do uso e do ensino de outros idiomas europeus em escolas brasileiras.
Pelo fato do ex-mandatário do país erroneamente indicar que há um português correto, único e coincidentemente falado por alguns bem nascidos apenas, como no caso dele, deixa perceber o quão distante está de fato distante das questões relevantes em educação atualmente, principalmente as do campo da linguagem. Nega, o “ilustre professor” uspiano aposentado (3 aposentadorias, ao todo) até um documento publicado sob seu reinado.
Pena é que nisto infelizmente ele não está sozinho. E talvez seja justamente por isto que possivelmente sua fala até encontre apoio entre muitos de nossos colegas docentes. Creio até que principalmente entre os professores e professoras de língua portuguesa. Estes que talvez por desconhecer os PCN, com seus tímidos avanços na discussão de uma política lingüística menos discriminatória com as variedades do português falado no Brasil, ou por não perceberem o quanto fazem o jogo do poder e da dominação que quer, atendendo aos interesses de uma minoria escolarizada e bem nascida, discriminar a maioria da população que fala o português como todos falam, até o próprio FHC, ajudam tal jogo a continuar cotidianamente nas salas de aula por todo o país. Quantos não são nossos colegas que ficam o tempo todo corrigindo a fala (um equívoco político e erro do ponto de vista lingüístico) dos estudantes quando deveria aproveitar melhor seu tempo junto a eles para reivindicar bibliotecas e condições concretas materiais para que todos pudessem fruir textos escritos nas mais variadas variedades do português, inclusive a que finge dominar, “sua incelença” o ex-rei. Pois é possuindo e fruindo tais materiais que concretamente se aprende a ter o tal “jogo de cintura” em relação à linguagem e os julgamentos sociais a que todos estamos sujeitos. Mesmo que para defender sua variedade lingüística, do ponto de vista da lingüística (da ciência da linguagem) tão boa quanto qualquer outra, portanto ser um cidadão crítico é preciso que os estudantes, bem como os professores, tenham acesso a estes materiais impressos. Pois que prescrições gramatiqueiras servem apenas para reforçar a discriminação, repugnar quem já está à margem da sociedade, portanto, além de não ensinarem ainda acabam funcionando como estratégia de dominação das minorias sobre as maiorias que se sentem inferiorizadas por não falarem e nem escreverem as variedades comuns às elites letradas e ricas das cidades.
Sobre estas questões de política lingüística visando encerrar as idéias que aqui lancei sem, no entanto, esgotar o que se há para falar sobre o assunto, recomendo o livro do professor da UNB Marco Bagno intitulado A norma oculta (Parábola, 2003).
Gostaria de dizer, para finalizar, que FHC demonstrando tamanha ignorância dos fatos educacionais deixa ver também as prováveis causas do descalabro que deixou o campo da educação pública. O único setor que cresceu no seu governo foi o da privada (aqui vale a ambigüidade e o duplo sentido) graças ao títere dos vampiros da educação como mercadoria e fonte de lucros.
Não sendo menos preconceituoso FHC disse que Lula despreza a educação, tanto como política de governo, quanto a própria. Sobre o que Lula pensa sobre sua própria educação não me é franqueado falar. É questão de fórum íntimo do presidente. Mas, de pronto, pode-se entrever aqui novamente um enorme preconceito e equívoco cometidos por FHC por este condicionar inteligência, habilidade e até caráter à escolarização formal. Se isto fosse verdade o doutorzinho da USP teria revelado certamente ter comprado seus diplomas.
Educação como política de governo para FHC, ou o que ele realizou neste sentido em seu reinado, em nada o abona e qualifica para falar sobre o assunto com a autoridade que ousou falar.
A nós, professores, ao menos não podemos considerar correto a postura de FHC. Melhor ainda é que denunciássemos em todos os fóruns que freqüentamos e temos direito a voz o preconceito e discriminação que sua fala comporta. Fala esta que só confirma o lugar social de quem fala, o lugar dos que mandam e não aceitam os historicamente comandados ocuparem este lugar.
Indiferentemente do que faz Lula no governo em relação à educação, que não parece ser grande coisa, o que deve ser destacado por nós é que através da crítica de FHC não é só o Lula o atingido e inferiorizado, mas nós todos brasileiros, uma maioria que fala como Lula, tem história de vida muito próxima da de Lula e que se não teve acesso à escola formal, pública, gratuita e de boa qualidade no tempo devido, isto certamente deveu-se às historicamente construídas e bem defendidas por falas como a do rei combalido, FHC, táticas e estratégias de manutenção de poder, exploração das massas, e manutenção das péssimas condições destes que, no final, ainda são injustamente condenadas e individualmente responsabilizadas por sua atual situação como se pudessem ter tido, num sistema excludente, perverso e massacrante, escolha de fato.

(Carlos Carota é professor de língua portuguesa na rede pública estadual paulista)

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Que símbolo nacional é você?

22 22UTC Novembro 22UTC 2007 at 21:01 (Não classificado)

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Site muito engraçado. Faça a pesquisa e descubra a sua essência:

http://vaipro.infernohost.net/quesimbolo/

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