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Redação Enem 2006
PROPOSTA DE REDAÇÃO ENEM 2006 – O PODER TRANSFORMADOR DA LEITURA
TÍTULO: Lendo, vai vivendo quem sabe viver
——————————————-O mundo acontece em processo. Não é. Está sendo.
O educador Paulo Freire dizia que antes da leitura da palavra, precisamos da leitura do mundo. É preciso referências no chamado mundo real para se entender um texto. Mas não é apenas isto. Lendo entendemos mais nosso mundo e descobrimos outros mundos.
Ler não é apenas um exercício técnico de decodificar. Em nossa nova era da informação, em que recebemos por multimeios uma avalanche de informação, ler é sobretudo separar, selecionar e analisar. Com certeza, sabe mais quem está lendo e pensando, em vez de assistir passivamente a realidade passar.
E quando lemos não estamos apenas estudando, mas vivendo também. Descobrindo outros pontos de vista, de outros autores, outras culturas. Ou entrando em outras realidades, sonhos de escritores criativos.
Imaginemos uma pessoa que não tenha acesso ao mundo da leitura. Ela pode ser tão inteligente quanto qualquer outra e ter uma experiência muito rica, mas sempre falará algo. Ler abre novos horizontes de comunicação, pois permite escrever, e até falar ou desenhar, de uma maneira mais clara, mais sofisticada e melhor embasada. Todos merecem este direito. E todos merecem deixar a sua mensagem escrita para o futuro.
Gostar de ler é uma opção. Um hábito que qualquer um pode adquirir. Mas o valor da leitura está muito além do prazer pessoal que proporciona. Lendo estamos mais ligados a muito mais pessoas, de diferentes épocas e lugares. Lendo estamos mais preparados para a vida.
— fiz o enem neste domingo, 27-08-2006. coloquei o fac-símile de meu rascunho no antigo blog: http://urfabio.blogger.com.br reparem na maneira como construí (e modifiquei – esta versão digitada já é sutilmente diferente da versão que entreguei…) meu texto.
O Homem Moderno
O homem moderno não faz mais a pergunta “o que eu quero?”, mas sim “como eu posso vender a mim mesmo?”.
Na nossa sociedade, hoje em dia, há um conceito errôneo de felicidade: “a felicidade é poder comprar bastante”. Porém, o mais importante são as relações humanas.
Trechos de entrevista com o filósofo alemão Robert Kurz. Isto É, 18-11-98.
este texto me lembra da célebre demissão do apresentador Roberto Justos no programa “O Aprendiz 3″ pelo concorrente Peter Collins.
veja o video em:
http://www.rederecord.com.br/programas/oaprendiz3/videos.asp?c=36
Para a Reunião Pedagógica
Fiz um pequeno rascunho para apresentar no “momento inclusão”, junto com outros educadores, na Reunião Pedagógica prevista em calendário:
INCLUSÃO
E, no entanto, defendemos a autonomia, o posicionamento crítico e o trabalho em equipe.
Pois bem – Sem isto não é possível a inclusão. E a inclusão é uma necessidade. Sem inclusão, não existe escola moderna e dedicada ao aprendizado de todos para o bem do coletivo.
Não podemos considerar inclusão apenas como o recebimento passivo de alunos deficientes. Na verdade, a inclusão começou há muito tempo, com a abertuda da escola para a maioria da população carente. Por inclusão pensamos a convivência de todas as diferenças: sejam de gênero, opção sexual, origem etnica, cor de pele, religião ou necessidades educacionais especiais. Pensando desta forma abrangente, todas as escolas possuem vários estudantes de inclusão;
Mas também os estudantes que poderiam ser rotulados como “normais” precisam estar incluídos. A escola pública deve ser um espaço para todos aprenderem e conviverem de uma maneira humana. Prepararem-se para entrarem no mercado de trabalho e serem pessoas éticas, ativas, capazes de melhorarem a sociedade em que vivem.
Também nós, educadores, precisamos estar incluídos. Precisamos ser tratados com respeito e ajudarmo-nos uns aos outros, em prol de um bem maior, que é a formação de todos os estudantes da escola, sem excessão.
Muitos educadores sentem uma grande angústia frente à inclusão. Isto é natural e compreensível. Somos humanos. Passíveis de falha. Os alunos chamados de inclusão (sejam os deficientes, sem os desajustados sociais ou disciplinares) revelam as falhas do educador.
SUGESTÃO PARA INDIVÍDUO-EDUCADOR:
A fim de diminuir a angústia e maximizar resultados precisamos fazer relatórios. Registros de todo o processo – entrada, mudança, respostas a atividades. Procurar destacar o que estudante faz, avaliação positiva.
SUGESTÃO PARA O COLETIVO ESCOLA:
Realizar planos de ação com estabelecimento de cronogramas e reuniões para avaliações e acompanhamentos. Tornar real o Projeto Político Pedagógico, construído pelo coletivo educadores, funcionários, direção, estudantes e familiares. Apenas o trabalho coletivo e auto-gerido tem garantia de resultados, pois garante o empenho de todos os que participaram da construção e debate das propostas.
ROTEIRO DE REFLEXÕES NECESSÁRIAS PARA EDUCADORES DE UMA ESCOLA INCLUSIVA
QUESTÕES:
1 – Qual o meu sentimento ou experiência diante de uma aluno com necessidades especiais?
(não se restringir a deficiência. ser sincero nas respostas. não se sentir culpado por sentir o que está sentindo. Dissociar medo de culpa por sentimentos considerados negativos: pena, nojo, raiva, desgosto…
Eu tenho a vaidade de ser uma pessoa boa – cristão ou budista ou lógica… que só tem bons sentimentos. Desejar isto é ser humano. E também é humano todos os sentimentos julgados ruins por nossa sociedade ou pelas religiões. Precisamos entender que podemos ter tais emoções e assumi-las para, então, podermos nos posicionar de uma maneira crítica.
cito: “Professor não quer encarar aluno carente, porque o lembra de algo que ele quer superar – ascender socialmente é uma vontade dos professores que estão melhorando navida. Aluno discriminado economico-socialmente (por “n” motivos) o lembra de como isso é difícil.” professora Suely, do curso “Das deficiências às diferenças: O Trabalho na Sala de Aula”.
2- Por que, no meu ponto de vista, eu tenho tais sentimentos?
(estas duas questões podem ser retomadas em outros momentos durante o período letivo > Trabalhar a mudança destes sentimentos ao longo do período)
Dissociar o “desempenho negativo” do aluno à exclusiva competência do professor ou professora (auto-imagem negativa). Papel dos educadores profissionais é importante, mas limitado.
- Desempenho do estudante é resultado do esforço dos educadores, das condições da escola (que precisa ser preparada para recebe-lo, no mínimo, arquitetônicamente e com materiais pedagógicos adaptados), além disso: acompanhamento da família, as oportunidades da sociedade como um todo.
É preciso que a escola se conscientize que o estudante não pertence a um único educador – mas sim a toda a escola – e mais ainda = a toda a sociedade, e apenas trabalhando em equipe e com apoio de polícas públicas governamentais será possível dar resposta para os problemas do indivíduo estudante de uma maneira justa e eficiente. Se este apoio oficial não existe, ele precisa ser buscado e exigido, pelo bem do indivíduo estudante e do coletivo sociedade.
É preciso que o educador também se concientize da limitação de sua prática. A escola é importante sim, mas não é tudo. Muito do que poderia ser feito para o bem do estudante, não é responsabilidade da escola.
Entretanto – A escola pode muito. Com pequenas medidas e mudanças de postura, os resultados podem ser surpreendentes – Contanto que não estejamos querendo demais. É preciso tomar cuidado tanto com o derrotismo ou inércia, quanto com o excesso de otimismo ou expectativas.
-
APRESENTAÇÃO: Intervenção pedagógica realizada com o estudante XXX da 8ª B.
“O mundo não é
O mundo está sendo” – dizia Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido
“A professora democrática, coerente, competente, que testemunha seu gosto de vida, sua esperança no mundo melhor, atesta sua capacidade de luta, seu respeito às diferenças, sabe cada vez mais o valor que tem para modificação da realidade, a maneira consistente com que vive sua presença no mundo, de que sua experiência na escola é apenas um momento, mas um momento importante que precisa ser autenticamente vivido.” p. 127 em Pedagogia da Autonomia
- A questão central das deficiências ou necessidades especiais está justamente no preconceito. Disto não podemos esquecer. É nosso desafio preparar nossos estudantes para não serem preconceituosos e lutarem contra todo tipo de preconceito, caso contrário corremos o risco de manter ad infinitum a reprodução de um sistema social cruel e desigual que só pode trazer prejuízos para nosso coletivo sociedade.
SUGESTÕES DE FILMES:
O Oitavo Dia (1996) – tema: síndrome de down
Olhos Azuis (1996) – sobre racismo e a educadora Jane Elliot, que na década de 60 desenvolveu dinãmicas para explicitar a arbitrariedade do preconceito. cito: Jane Elliot escolheu a cor dos olhos como critério de exclusão por influência do mesmo método utilizado pelos nazi-fascistas na Alemanha da 2ª Guerra Mundial para discriminar os judeus. Como branca, ela não aceitava ser omissa frente à discriminação, sob o risco de corroborar com ela. Para a sociedade branca americana, se os negros protestam, eles só provam tudo o que de ruim já se pensava deles, segundo Jane. Ela ensinava o valor de não se submeter ao preconceito. “Se submeter é gostar de sofrer”, dizia. (http://www2.uerj.br/~proafro/maria1.htm )
SUGESTÕES DE LIVROS:
-Pedagogia do Oprimido – autor: Paulo Freire.
-EDUCAÇÃO INCLUSIVA.- autora: Maria Elisa Caputo Ferreira- Rio de Janeiro: DP&A, 2003. v. 01. 160 p.
-Educação especial: do querer ao fazer
Autora: Maria Luisa Sprovieri Ribeiro (Org.) e Roseli Cecília Rocha de Carvalho Baumel (Org.)
ed. – São Paulo – Editora Avercamp – 2003 – 192 p.
LEGISLAÇÃO:
A lei nº 8.213 de 1991 estipula uma cota de 2% de empregados portadores de necessidades especiais quando a empresa tem até 100 funcionários. Quando este número é de 1000 empregados, a cota mínima para portadores sobe para 5%.
Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996
lei nº 3.708/2001, chamada Lei de Cotas, que faz parte do Projeto Igualdade Racial: desenvolvimento de uma política nacional para a eliminação da discriminação no emprego e na ocupação e promoção da igualdade racial no Brasil.
Cotas: A favor e contra
Recebi dois textos com o tema via e-mail. Reproduzo aqui:
A FAVOR (em tempo, eu sou a favor!)
Penso que é muito fácil apenas dizer não às cotas para negros, principalmente, quando não se é negro, porque não é, em primeira instância, por notas que muitos deles estão sendo inseridos nas universidades.
É muito comovente dizer que os brancos, de hoje, não devem pagar pelo que foi feito com os negros no passado. Claro, apenas os negros, de hoje, devem sofrer calados em seus cantos, sejam em classes altas, médias ou baixas, que é onde estão a maioria.
Se é por merecimento ou não, sou totalmente a favor de toda política de incentivo a melhoria de vida de geracões que foram admoestadas por anos e anos. E não sou nem de longe petista, porém sei muito bem o que é ser parda ou negra, diante de um mundo cheio de racismo.
Quem está realmente preparado quando chega à universidade ? São raros, sendo brancos, negros ou índios.
É lá que as cabecas serão exercitadas e, com certeza, a do negro não será inferior para adquirir e contribuir com conhecimento, mesmo que ele, uma vez, tenha que trabalhar a mais em relacão aos que obtiveram vantagem sobre eles anteriormente.
Em relacão ao nossso "país modelo", USA, acabo de assistir uma reportagem, revelando que a segregacão social lá está mais forte do que nunca.
Muitos, em maior porcentagem de negros, estão estudando em escolas deterioradas e com péssima qualidade de ensino, enquanto pessoas mais privilegiadas socialmente, uma grande maioria de brancos, obtém altos índices em seus exames e estudam em luxuosas escolas.
Acho um tremendo egoísmo e falta de humanidade das pessoas que atiram pedras, ao invés de incentivarem políticas de igualdade social.
Acredito que deveríamos acolher com simpatia a busca de um mundo igualitário, o que talvez seja utopia de minha parte, quando vejo pessoas tão entusiastas em derrubar muros que nos separam uns dos outros.
Mônica Andersson
professora de educação básica
CONTRA
A política de cotas para estudantes negros nas universidades
pode fazer bonito em palanque, ajuda a
compor um belo discurso antidiscriminação, arranca
aplausos calorosos da audiência basbaque, mas é burra
e incongruente. Fere o princípio de que todos são iguais
perante a lei, e portanto uns não podem ser menos
iguais que outros. Traz embutida a suposição de que há
uma dívida a resgatar em virtude de injustiças cometidas
contra os negros no passado – outro equívoco, visto
que uma geração não pode pagar por erros cometidos
pelos antepassados. As cotas fazem ruir um preceito
fundamental numa seleção como o vestibular: o mérito.
“Que vençam os melhores.” Os negros devem ingressar
no ensino superior por merecimento. Não graças a uma
mãozinha, uma ajudinha.
As cotas estão no pacote da reforma universitária a
cargo do novo ministro da Educação, Tarso Genro.
Naturalmente, como fora da área econômica o governo
federal é orientado por estratégias de propaganda, e
tudo o que faz espuma é prioritário para Lula e sua
turma, as cotas têm tudo para ganhar força. O que é
preocupante.
Uma bobajada sem tamanho é discutir a questão sem
olhar para a experiência americana. Nos Estados
Unidos as cotas nasceram, foram instituídas em diversas
universidades, causaram furdunço, sofreram contestações
nos tribunais. E em 1978 a Suprema Corte
decidiu que a política de reserva de vagas para minorias
é inconstitucional. Depois da sentença, certas faculdades
passaram a adotar sistemas próprios de “preferências”.
Para ajudar na criação de um ambiente estimulante
do ponto de vista cultural, cada instituição avalia suas
peculiaridades e estebelece uma política.
Na Universidade de Michigan, ser negro, hispânico ou
indígena conta 20 pontos de um máximo de 150. Em
outras faculdades, ser atleta, pintor ou dançarino ajuda
na classificação. A direção de uma escola pode, por
exemplo, considerar válida a presença de um guitarrista
punk numa turma de Administração composta basicamente
por almofadinhas conservadores. De todo
modo, é sempre a instituição que decide a própria política
de preferência – ou mesmo se haverá alguma.
Isso faz toda a diferença. No Brasil, o que se viu quando
uma universidade teve de cumprir leis de cotas criadas
em Assembléia Legislativa foi uma completa bizarrice.
No ano passado, dos 1.969 negros aprovados no
vestibular da Universidade Estadual do Rio de Janeiro
(Uerj), apenas 329 conquistaram suas vagas pelo bom
desempenho nas provas. O restante, mais de 80 por
cento, entraram pelas cotas. Esses alunos obtiveram
notas muito inferiores a de colegas brancos que acabaram
reprovados.
Há mais um dado relevante a considerar. Ao preencher
a cota racial de 40%, a Uerj teve de selecionar os candidatos
melhor qualificados entre aqueles que se declararam
negros. Que eram, via de regra, oriundos de escolas
particulares. Ou seja: os grandes beneficiados foram
os alunos negros de classe média.
Os defensores da chamada “ação afirmativa” argumentam
que esses são equívocos menores frente a uma política
compensatória tão importante. Não são. São erros
graves que poderão causar sérios problemas. Daqui a
alguns anos, será que um paciente não desconfiará de um
cirurgião negro antes de se submeter a uma operação?
“Doutor, o senhor entrou na faculdade pelas cotas ou por
nota?” Há, sim, o risco de que profissionais negros sejam
vistos com desconfiança e tenham seu talento e potencial
contestados. O risco mais premente, no entanto, é a
queda da qualidade do ensino, já tão capenga. Os professores
terão de nivelar por baixo, para que alunos mal aparelhados
possam acompanhar as aulas.
Os ativistas também empunham a bandeira da dívida
histórica. Por esse raciocínio, é necessário compensar
os negros pelos anos de escravidão e injustiças. Ora, o
quê os estudantes brancos de hoje têm a ver com isso?
Nem do ponto de vista legal uma geração herda dívida
de outra. Se um cidadão morrer com um papagaio para
acertar, seu filho não tem de pagar por isso.
Na verdade, as cotas tentam corrigir no fim uma distorção
que deveria ser trabalhada no começo do ciclo
escolar. Negros e pardos somam 15 por cento dos alunos
matriculados no ensino superior, embora representem
45 por cento da população geral. É legítimo que
sejam discutidas políticas para ampliar a participação
deles nas universidades. Mas o melhor a fazer não é
criar uma brechinha no vestibular, com reserva de
vagas para alunos de desempenho medíocre. É mais
efetivo criar boas escolas de ensino básico para crianças
carentes, com apoio de ONG’s e empresas privadas. E
cursinhos pré-vestibulares, como os oferecidos pelo
Projeto Àfojúbá, com excelentes resultados, e pela
PUC-Rio, numa iniciativa premiada.
www.aol.com.br
Os negros devem ingressar nas universidades por
merecimento, graças ao bom desempenho no vestibular.
Não por meio de reserva de vagas
Abaixo as cotas para negros
Kaíke Nanne
Jornalista, é editor-executivo da AOL Brasil. Atuou nas revistas Playboy, Veja, Terra, Contigo e Época
Paulo Freire
Terminei de ler “Pedagogia da Autonomia” de Paulo Freire. Além de textos avulsos e todas as referências a ele, é seu terceiro livro que leio (o primeiro foi “Educação como prática da Liberdade“, muito antes de entrar na faculdade, e o póstumo “Pedagogia da Indignação : Cartas Pedagógicas“).
Alguns trechos que chamaram minha atenção:
Na página 14 o autor pede para o leitor completar o livro, que é direcionado para formar educadores; – observa marca oral de sua escrita.
“só, na verdade, quem pensa certo, mesmo que, às vezes, pense errado, é quem pode ensinar a pensar certo. E uma das condições necessárias a pensar certo é não estarmos demasiado certos de nossas certezas.” p. 30
— Isto me lembra de Nietzsche, que dizia: “O pensamento deveria ser ensinado como uma espécie de dança. O pensamento é uma espécie de dança.” (portanto, tem passos certos e passos errados, mas isto depende do ritmo e dos parceiros…)
ambiente:
“O professor tem o dever de dar suas aulas, de realizar sua tarefa docente. Para isso, precisa de condições favoráveis, higiênicas, espaciais, estéticas, sem as quais se move menos eficazmente no espaço pedagógico. Às vezes, as condições são de tal maneira perversas que nem se move. O desrespeito a este espaço é uma ofensa aos educandos, aos educadores e à prática pedagógica.”
lembra Sócrates:
“Sei que ignoro e sei que sei”p. 106
“Não junto a minha voz à dos que, falando de paz, pedem aos oprimidos, aos esfarrapados do mundo, a sua resignação. Minha voz tem outra semântica, tem outra música.” p. 113
sobre Inclusão:
“A professora democrática, coerente, competente, que testemunha seu gosto de vida, sua esperança no mundo melhor, atesta sua capacidade de luta, seu respeito às diferenças, sabe cada vez mais o valor que tem para modificação da realizadade, a maneira consistente com que vive sua presença no mundo, de que sua experiência na escola é apenas um momento, mas um momento importante que precisa ser autenticamente vivido.” p. 127
“Aceitar e respeitar a diferença é uma dessas virtudes sem o que a escuta não se pode dar. Se discrimino o menino ou menina pobre, a menina ou o menino negro, o menino índio, a menina rica; se discrimino a mulher, a camponesa, a operária, não podsso evidentemente escutá-las e se não as escuto, não posso falar com eles, mas a eles, de cima para baixo. Sobretudo, me proíbo entendê-los. Se me sinto superior ao diferente, não importa quem seja, recuso-me escutá-lo ou escutá-la. O diferente não é o outro a merecer respeito é um isto ou aquilo, destratável ou desprezível.” p. 136
sinal do nosso tempo:
“á um sinal dos tempos, entre outros, que me assusta: a insistência com que, em nome da democracia, da liberdade e da eficácia, se vem asfixiando a própria liberdade e, por extensão, a criatividade e o gosto da aventura do espírito. A liberdade de mover-nos, de arriscar-nos vem sendo submetida a uma padronização de fórmulas, de maneiras de ser, em relação às quais somos avaliados. É claro que já não se trata de asfixia truculentamente realizada pelo rei despódico sobre seus súditos, pelo senhor feudal sobre seus vassalos, pelo colonizador sobre os colonizados, pelo dono da fábrica sobre seus operários, pelo Estado autoritário sobre os cidadãos, mas pelo poder invisível da domesticação alienante que alcança eficiência extraordinária no que venho chamando ‘burocratização da mente’ . Um estado refinado de estranhamento, de ‘autodemissão’ da mente, do corpo consciente, de conformismo do indivíduo, de acomodação diante de situações consideradas fatalisticamente como imutáveis.” p. 128
— Este trecho acima é excelente. Revelador do perigo da burocracia, quando mal compreendida. Em tempo: a burocracia é necessária, mas deve ser clara, aberta, explícita e humana. Não deve ser usada para “disciplinar”, ainda menos dentro da escola! Foucault fala sobre estes mesmos temas – explicando historicamente como a escola (e a prisão e o hospital) foi construída para “controlar os corpos”.
gostei desta:
“Quem tem o que dizer tem igualmente o direito e o dever de dizê-lo.
É preciso, porém, que quem tem o que dizer saiba, sem sombra de dúvida, não se o único ou a única a ter o que dizer.” p. 131
Sua última fala no livro é a favor da humildade e humanidade (não-arrogância e burocratização) no ato de ajudar a aprender.
Muito bom livro.
Retiro o seguinte trecho de http://www.lesley.edu/journals/jppp/2/review_port.html
”
A esperança e o optimismo na possibilidade da mudança são um passo gigante na construção e formação científica do professor ou da professora que “deve coincidir com sua retidão ética” (p18). Paulo Freire, um Professor e filósofo que através da sua vida não só procurou perceber os problemas educativos da sociedade brasileira e mundial, mas propôs uma prática educativa para os resolver. Esta ensina os professores e as professoras a navegar rotas nos mares da educação orientados por uma bússola que aponta entre outros os seguintes pontos cardeais:
a rigorosidade metódica e a a pesquisa
a ética e estética
a competência profissional,
o respeito pelos saberes do educando e o reconhecimento da identidade cultural,
a rejeição de toda e qualquer forma de discriminação,
a reflexão crítica da prática pedagógica,
a corporeiificação,
o saber dialogar e escutar,
o querer bem aos educandos,
o ter alegria e esperança,
o ter liberdade e autoridade
o ter curiosidade
o ter a consciência do inacabado…
como princípios basilares a uma prática educativa que transforma educadores e educandos e lhes garante o direito a autonomia pessoal na construção duma sociedade democrática que a todos respeita e dignifica.
Nota Final
Não podemos deixar de reconhecer que além da riqueza intelectual de idéias que serão a base de muitos diálogos e reflexões, este livro é escrito tal como outros do mesmo autor, numa linguagem não sexista o que é raro ver-se nas publicações em língua portuguesa. Paulo Freire demonstra a todos os falantes da língua portuguesa, acostumados à maneira masculina de ver o mundo, a qual tem mantido invisível metade da humanidade – os seres femininos, que a língua Portuguesa também nos proporciona as possibilidades do uso de linguagem que respeita a comparticipação visível e dignificante da mulher no mundo actual. Para Paulo Freire não existe unicamente o homem, o professor, o aluno, o pai mas também a mulher, a professora, a aluna, a mãe!”
Pirataria sem e com ética
Veja bom texto de Ricardo Anderáos comentando a recente “mania” de alguns camelôs que vendem cd’s piratas sem nada gravado.
“…ainda que no Brasil as leis nunca tenham sido rigorosamente respeitadas por ninguém, muito menos por nossos governantes, as atividades informais sempre foram regidas por uma ética rigorosa. É engraçado observar como, num país onde ninguém respeita regras ou horários, os desfiles de carnaval no Sambódromo funcionam como relógios e têm regulamentos draconianos. Nossa anarquia sempre teve muita ordem. Talvez por isso sejamos mais relaxados do que deveríamos no cumprimento da legislação formal.”
http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=8366
Morfossintaxe
Alguns de meus alunos de 8a andam interessados em morfossintaxe, isto porque irão fazer um tipo de concurso e cai este tema. Infelizmente a maioria não entendeu que é justamente isto o que vinhamos estudando, mas usando os nomes morfologia e sintaxe. Achei na rede um texto muito bom com dicas para aplicar este tema em textos inteiros:
ensino de morfossintaxe nos níveis fundamental e médio uma perspectiva textual DE Maria Luci de Mesquita Prestes (FAPA) E Eduardo Rosa de Almeida (Col. Farroupilha)
http://www.filologia.org.br/viicnlf/anais/caderno03-05.html
Uma das referências deste texto é o grande Marcos Bagno (o anti-pasquale), que vale uma pesquisa a parte.
Simpsons no Brasil
Puxei pela rede o polêmico episódio do desenho Os Simpsons no Brasil. Veja boa reportagem em:
http://hq.cosmo.com.br/TEXTOS/mundoanimado/d0013_simpsonsbrasil.shtm
Usei link: http://rapidshare.de/files/12285869/_puxando.com__Os_Simpsons_-__No_Brasil.rar.html
do site www.puxando.com




