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Atividade com Cora Coralina e Raul Seixas

10 de maio de 2006

Pessoalmente não gostam de questões de interpretação, porque acabam induzindo a compreensão. Mas… é difícil ficar só na conversa.

O cântico da terra

Cora Coralina (Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas, 20/08/1889 — 10/04/1985 )


Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.

Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.



Mascarados

Saiu o Semeador a semear

Semeou o dia todo

e a noite o apanhou ainda

com as mãos cheias de sementes.

Ele semeava tranqüilo

sem pensar na colheita

porque muito tinha colhido

do que outros semearam.

Jovem, seja você esse semeador

Semeia com otimismo

Semeia com idealismo

as sementes vivas

da Paz e da Justiça.

Gita

música de: Raul Seixas e Paulo Coelho (versão para o texto indiano Bhagavad Gita )

“Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando, foi justamente num sonho que ele me falou”

Às vezes você me pergunta

Por que é que eu sou tão calado

Não falo de amor quase nada

Nem fico sorrindo ao teu lado

Você pensa em mim toda hora

Me come, me cospe, me deixa

Talvez você não entenda

Mas hoje eu vou lhe mostrar

Eu sou a luz das estrelas

Eu sou a cor do luar

Eu sou as coisas da vida

Eu sou o medo de amar

Eu sou o medo do fraco

A força da imaginação

O blefe do jogador

Eu sou, eu fui, eu vou

Gita gita gita gita gita

Eu sou o seu sacrifício

A placa de contra-mão

O sangue no olhar do vampiro

E as juras de maldição

Eu sou a vela que acende

Eu sou a luz que se apaga

Eu sou a beira do abismo

Eu sou o tudo e o nada

Por que você me pergunta

Perguntas não vão lhe mostrar

Que eu sou feito da terra

Do fogo, da água e do ar

Você me tem todo dia

Mas não sabe se é bom ou ruim

Mas saiba que eu estou em você

Mas você não está em mim

Das telhas eu sou o telhado

A pesca do pescador

A letra arde em meu nome

Dos sonhos eu sou o amor

Eu sou a dona de casa

Nos pegue-pagues do mundo

Eu sou a mão do carrasco

Sou raso, largo, profundo

Gita gita gita gita gita

Eu sou a mosca da sopa

E o dente do tubarão

Eu sou os olhos do cego

E a cegueira da visão

Mas eu sou o amargo da língua

A mãe, o pai e o avô

O filho que ainda não veio

O início, o fim e o meio (2x)

QUESTIONÁRIO DE INTERPRETAÇÃO DE TEXTO PARA RESENHA “HOMOFÓBICOS GO HOME!” DE Lola Aronovich

1- Que filme a autora está resenhando?

2- Qual o nome do diretor do filme?

3- Quais prêmios este filme ganhou, segundo a resenha?

4- Segundo a resenha, quais outros filmes são do mesmo diretor?

5- Qual destes filmes não agradou a autora?

6- A autora gostou do último filme deste diretor?

7- Quais foram os comportamentos homofóbicos identificados pela autora na platéia do cinema onde ela viu o filme?

8- Qual o risco deste tipo de comportamento para a sociedade?

9- Explique se você ficou ou não com vontade de assistir a este último filme e por quê:

10- Faça uma redação com pelo menos 10 linha com o tema: “Preconceito contra gays, travestis e lésbicas”.

QUESTIONÁRIO DE INTERPRETAÇÃO DE TEXTO PARA POEMAS DE Cora Coralina E Raul Seixas.

1- Qual o “Eu poético”, ou seja, quem está falando no poema “O cântigo da terra”, escrito por Cora Coralina.

2- O que significa o verso “e a mim tu voltarás no fim da lida”.

Glossário: lida = trabalho.

3- Que conselho o poema passa para os leitores na sua última estrofe?

4- Cora Coralina começou a escrever já idosa e tinha um estilo conservador, evocando imagens rurais. Adaptando o poema para sua própria vida, moderna e urbana, como você entende essa mensagem? Faça uma redação com pelo menos 5 linhas.

5- Compare o poema “O cântigo da terra” com a música “Gita” de Raul Seixas. O que há de parecido entre ambos?

6- Explique agora o que há de diferente entre os dois textos citados?

7- Usando a mesma fórmula de ambos os textos, escreva um poema no estilo “Eu sou…”, mas usando outras coisas como, por exemplo, “eu sou a água”, “eu sou o vento que traz alegria”, “eu sou o tempo de parar para pensar”, etc.

Tente soltar sua imaginação e procure palavras que rimam para os finais dos versos. Exemplo: “Tudo o que sei

não é o que sou

É o que errei

8- Leia atentamente o poema “Mascarados” de Cora Coralina. Há pelo menos seis verbos no poema. Copie todos os verbos:

9- Faça uma redação livre usando todos estes verbos. A redação deve ter pelo menos 10 linhas. Pode ser, por exemplo, uma fábula ou um diálogo:

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